Para reduzir impacto ambiental, mercado tem investido em técnicas que vão desde materiais naturais até métodos construtivos industriais
O Brasil tem avançado na promoção de métodos construtivos sustentáveis. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), os novos indicadores do setor relacionados às emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à energia incorporada nas edificações indicam um bom posicionamento do país neste tópico.
Nas obras analisadas em 2026, o levantamento CECarbon aponta que as emissões médias foram de 0,23 tonelada de carbono equivalente por metro quadrado (tCO₂e/m²), abaixo das referências internacionais. Na União Europeia, por exemplo, calcula-se que as emissões incorporadas estavam entre 0,43 e 0,82 tCO₂e/m² em edificações.
E os métodos construtivos podem impactar positivamente na redução das emissões de carbono. Segundo o levantamento, o sistema de Parede de Concreto apresentou intensidade média de emissões de 0,19 tCO₂e/m². Já o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou intensidade média de emissões de 0,21 tCO₂e/m². Por fim, o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional registrou 0,26 tCO₂e/m².
Consumo energético
No que tange energia incorporada aos materiais e aos processos construtivos ao longo da execução das obras, as construções brasileiras alcançaram 2,39 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), o que está nos padrões internacionais. Entre os métodos construtivos, o sistema de Parede de Concreto foi o mais vantajoso, registrando média de 2,05 GJ/m², enquanto o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou média de 2,19 GJ/m². O sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional apresentou média de 2,71 GJ/m².
Com esses avanços consideráveis, há ainda oportunidades a serem exploradas com técnicas que são ora tradicionais, ora inovações modernas, que podem reduzir o impacto ambiental e gerar um ciclo virtuoso na construção civil. O uso estratégico de recursos naturais e a tecnologia de construções modulares são algumas das soluções que ainda devem ganhar espaço no Brasil.
Lightwall – industrial e modular
O sistema modular tem sido cada vez mais discutido no mercado imobiliário, uma vez que faz uso de peças pré-moldadas que garantem um processo de construção muito mais ágil. Nesse cenário, o LightWall desponta como uma evolução, ao utilizar placas de cimento produzidas em modelo industrial com alta precisão, reduzindo desperdícios em processos e gerando também eficiência energética. Além disso, as chapas cimentícias do LightWall são preenchidas por EPS, feito de concreto e aditivos, que proporciona maior isolamento termoacústico, chegando a um índice de redução sonora (Rw) de até 51dB.
A empresa LightWall Brasil é uma das principais responsáveis pela difusão desta solução construtiva no país. Um de seus projetos mais recentes é o Atlantis ONE, da Tom Incorporadora, com arquitetura assinada por Renato Lincoln e curadoria de arte por Albino Miranda. O empreendimento de alto padrão, localizado em Igaratá (SP), tem área total de aproximadamente 160 mil m², dos quais mais de 40 mil m² são destinados à preservação ambiental. No projeto, a adoção de sistemas industrializados se deu pela maior previsibilidade de obra e maior controle sobre o uso de recursos, o que reduz interferências no canteiro e padroniza a qualidade da construção.


Madeira – redução nas emissões de carbono
A madeira engenheirada tem se tornado uma opção cada vez mais reconhecida globalmente, ainda que no Brasil sua aplicação não seja em larga escala. O material, que é de origem natural e vem, desde a antiguidade, sendo empregado de diferentes formas para construção de habitações, dialoga com os anseios contemporâneos por métodos construtivos com menor emissão de carbono.
Em Atibaia (SP), o Shopping Praça Pitiguari é exemplo do uso de madeira engenheirada como método construtivo. No projeto, foram utilizadas madeira de Pinus no tipo MLC – lamelas de madeira coladas paralelamente, formando uma massa de madeira de altíssima resistência. Por ser um material renovável que minimiza a emissão de carbono, a madeira integra as estratégias do projeto para eliminar 500 toneladas de CO₂ da atmosfera. A arquitetura do empreendimento é assinada pelo escritório Todescan + Siciliano, enquanto o projeto estrutural é da Timbau Estruturas/XLAM.


Taipa – a terra na arquitetura
Trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI, a taipa é um material que dialoga diretamente com o entorno de cada construção, pois utiliza terra crua como matéria-prima, geralmente numa mistura de argila, areia e água. Essa técnica garante um menor consumo de energia e um impacto ambiental reduzido, especialmente quando o manejo da terra é feito de forma consciente e planejada. E no longo prazo, as construções são também mais sustentáveis, uma vez que a taipa confere maior inércia térmica e ajuda a manter as temperaturas da construção mais estáveis.
O material pode ser utilizado por meio da técnica taipa de pilão, que consiste em criar camadas de taipa uma sobre a outra para formar paredes sólidas de terra, ou taipa de mão (também chamada de pau a pique), que utiliza estruturas de madeira ou bambu preenchidas manualmente com barro.
Na arquitetura, a empresa Taipal se especializou na aplicação de taipa em grandes projetos, como é o caso da Casa Mantiqueira, do arquiteto Gui Paoliello. Toda a terra gerada pela terraplenagem e proveniente das escavações das fundações foram aproveitadas no embasamento, com paredes construídas pelo método da taipa de pilão. Os benefícios sustentáveis da taipa foram ampliados com outras soluções, como aquecimento solar e captação e reaproveitamento das águas pluviais.


Por Victor Hugo Felix
