Novas tecnologias ampliam o desempenho do vidro e reposicionam o material no debate sobre conforto, eficiência e sustentabilidade na arquitetura
Na arquitetura contemporânea, o vidro ganha novas camadas de funcionalidade à medida que a tecnologia amplia sua capacidade de responder às condições do ambiente e às necessidades de seus usuários. Soluções capazes de escurecer sob a incidência solar e recuperar a transparência à sombra, reagir às variações de temperatura sem consumo de eletricidade ou alterar seu grau de transparência por meio de um simples comando expandem as possibilidades de aplicação do material e aproximam arquitetura, conforto e inovação.
Foi nesse território de convergência entre ciência, indústria e projeto que o Instituto Cini promoveu, no dia 6 de outubro, no CinexLab, em São Paulo, o seminário O Futuro do Vidro: tecnologias que ampliam o desempenho e o conforto. A programação partiu de questões que já atravessavam a prática de quem projetava e construía: como preparar os espaços para um clima em transformação e para novos modos de habitar; de que maneira equilibrar luz natural, segurança e bem-estar; e até onde a tecnologia poderia avançar para transformar o vidro em um componente responsivo da própria edificação.

A programação trouxe nomes como o engenheiro civil Fernando Simon Westphal, que apresentou o tema “Muito além do vidro”, sobre as tecnologias que estavam mudando fachadas e edificações. Professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutor em engenharia, com pesquisa voltada à eficiência energética de edificações, ele havia se aproximado do tema ao atuar em projetos de certificação LEED de prédios comerciais em São Paulo e era autor de Vidro plano para edificações, publicado em 2023 pela Oficina de Textos com apoio da Abividro.
Depois, a indústria entrou na conversa com Vinicius Balani, gerente de Desenvolvimento de Produtos, Sustentabilidade e Product Compliance da Cebrace. Coube a ele conduzir a chegada ao mercado do primeiro vidro de baixo carbono da América Latina, e seu nome constava como inventor em quatro patentes internacionais de revestimentos para vidro. Na palestra “Da transparência à performance”, Balani percorreu a evolução tecnológica do material e o lugar que ele deveria ocupar nas construções dos anos seguintes.

Encerrando a programação, o fundador do Instituto Cini, César Cini, apresentou o tema “O vidro como grande expoente do conforto”, em uma reflexão que reuniu trajetória, experiência e inovação. Natural de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, Cini fundou a Cinex em 1998, empresa que se consolidou como a maior fabricante de complementos em vidro e alumínio para móveis da América Latina. Esse conhecimento acumulado ao longo de décadas também encontrou espaço na construção civil, com a criação da CinexArch.
Em sua apresentação, Cini compartilhou sua visão sobre o papel que o vidro poderia desempenhar na arquitetura contemporânea e apresentou uma nova tecnologia baseada no vidro a vácuo, ampliando a discussão sobre desempenho, conforto e as possibilidades futuras desse material na construção. Além disso, Cini apresentou aos presentes a Casa Cini, projeto modular que traduz, para a arquitetura, a experiência acumulada pela empresa no desenvolvimento de soluções em vidro e alumínio. A proposta parte da ideia de uma construção mais racionalizada e flexível, em que módulos e sistemas pré-definidos ampliam as possibilidades de composição e montagem.


Para a Casa e Mercado, publicação especializada em arquitetura, interiores e construção, iniciativas como essa assumem um papel relevante ao aproximar conhecimento, inovação e prática profissional. Para além de apresentar novas tecnologias, encontros que colocam ciência, indústria e arquitetura em diálogo contribuem para ampliar o repertório de quem especifica, projeta e constrói, estimulando uma compreensão mais ampla sobre os caminhos que o setor vem tomando.
Criado no fim de 2024, com sede no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, o Instituto Cini trabalha pelo uso responsável dos recursos naturais e pela incorporação da sustentabilidade à construção civil, com a educação entre as suas bases de atuação. A entidade aproxima profissionais de referências internacionais, promove experiências de formação e incentiva a troca de conhecimento como ferramenta de impacto social, em três frentes: educação, cultura e inovação. Em novembro de 2025, realizou em Bento Gonçalves a 1ª Imersão em Construção Sustentável, que reuniu arquitetos, engenheiros, gestores públicos e representantes de universidades para debater emissões de carbono, consumo de água, resíduos de obra, certificações ambientais e eficiência energética.



Fotos: Phoética Ateliê Fotográfico.
