Novo adicional de 12,5% entrou em vigor no final de julho, impacta produtos nacionais e afeta indústria moveleira
Em 24 de julho, entrou em vigor nos EUA uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL), a medida do governo estadunidense deve alcançar cerca de 3 mil itens importados do Brasil, incluindo grande parte dos móveis e colchões exportados para o país norteamericano, além de determinados componentes e insumos da indústria. Para diversos produtos nacionais, o novo adicional se soma à tarifa de 25% vigente desde 22 de julho, elevando a sobretaxa acumulada a 37,5%.
O cenário gera três possibilidades de taxação:
- Produtos impactados pelas duas medidas, que acumulam 37,5% em tarifas;
- Produtos isentos da tarifa de 25%, sujeitos apenas ao adicional de 12,5%;
- Produtos enquadrados em regimes tarifários específicos, que podem estar dispensados da nova cobrança, mas ainda estão sujeitos à tarifa de 25%.
Alguns móveis estofados com estrutura de madeira, como sofás, poltronas e cadeiras, além de armários de cozinha, gabinetes para banheiro e determinadas partes de armários e gabinetes, podem ser dispensados do novo adicional de 12,5%. Contudo, permanecem sujeitos ao adicional de 25%, além das demais cobranças aplicáveis.
O tarifaço, segundo a ABIMÓVEL, agrava um cenário que já vinha afetando o desempenho da indústria brasileira de móveis nos Estados Unidos, principal mercado externo do setor. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras de móveis para o país recuaram 41,7% em relação ao mesmo período de 2025. A participação do país norte-americano nos embarques do setor caiu de 27,8% para 17,4% na mesma comparação.
Além disso, a associação calcula que, desde o início das sobretaxas, em 2025, mais de 10 mil postos de trabalho na indústria moveleira já foram afetados. Para Irineu Munhoz, presidente da ABIMÓVEL, “a aplicação de uma medida horizontal desconsidera as características da indústria brasileira de móveis, seu compromisso com a origem legal das matérias-primas, a rastreabilidade, a sustentabilidade e o cumprimento da legislação trabalhista, social e ambiental”.

O impacto das tarifas deverá ser percebido na precificação das peças, na pressão sobre as margens e gerar renegociações, além de diminuir pedidos e afetar parcerias. “Esses efeitos são prejudiciais tanto aos exportadores brasileiros quanto aos importadores, distribuidores, varejistas e consumidores norte-americanos, afetando relações comerciais construídas ao longo de décadas”, completa Munhoz.
Em nota, a ABIMÓVEL esclarece que está em interlocução com o governo federal para defender a continuidade das tratativas diplomáticas com os Estados Unidos e buscar um tratamento adequado para a indústria brasileira de móveis. Por sua vez, a diretora executiva da ABIMÓVEL, Cândida Cervieri, recomenda que as empresas “revisem suas classificações tarifárias, cruzem essa análise com a relação de produtos sujeitos à tarifa adicional específica de 25% aplicada ao Brasil e a partir daí confirmem o enquadramento de cada produto, avaliem os embarques em trânsito e mantenham diálogo com importadores e assessorias aduaneiras; recalcule o landed cost considerando diferentes cenários tarifários [12,5%, 25% e eventual incidência cumulativa de até 37,5%], avaliando seus impactos na competitividade”.
Origens da novas tarifas
A sobretaxa se deu em razão de uma segunda investigação realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), segundo a qual o Brasil não dispõe de mecanismos suficientes para proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas, total ou parcialmente, com trabalho forçado em outros países. Na análise da ABIMÓVEL, a decisão, não representa uma acusação de uso de trabalho forçado pela indústria brasileira de móveis, mas uma medida de alcance nacional fundamentada na avaliação dos EUA sobre os instrumentos adotados pelo Brasil para controlar suas próprias importações.
O Brasil classificou a medida como arbitrária e injustificada. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Governo Federal acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço, a fim de que a determinação do governo dos EUA possa ser contestada. Além disso, o governo brasileiro iniciou estudos para acionar a Lei de Reciprocidade, que autoriza o país a adotar medidas proporcionais às sobretaxas ou restrições aplicadas por outros países ou blocos econômicos. No caso, o Brasil aplicaria taxas mais elevadas a importações de produtos estadunidenses.
Por Victor Hugo Felix
