Demanda por eficiência energética e soluções sustentáveis de manejo de recursos hídricos faz com que novas soluções sejam desenvolvidas e testadas no Brasil
Com o avanço das discussões sobre as pautas ESG e a necessidade da preservação ambiental, ampliou-se os investimentos em soluções para o uso racional dos recursos hídricos. Graças a isso, de acordo com o Banco Mundial, números consideráveis podem ser alcançados nos próximos: o levantamento da instituição aponta que o reuso de água para abastecimento e aplicações industriais pode crescer oito vezes até 2040, alcançando 430 milhões de m³ por dia.
Ainda que a ampla adesão ao reuso de água não tenha sido alcançado ainda, especialistas reconhecem maior interesse do público a esse tipo de prática, mesmo em projetos residenciais. A preocupação recorrente é o enfrentamento das crises hídricas no país. Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam que as secas podem ficar mais longas e severas na Bacia do Rio Paraíba do Sul, ao longo das próximas décadas — uma região que onde se localizam rios e reservatórios que abastecem mais de 20 milhões de pessoas no Sudeste.
Além do reuso de água, o Brasil vem adotando a dessalinização para levar água potável a comunidades do Semiárido, o que ainda contribui para a redução da dependência de mananciais em operações industriais e projetos de abastecimento em áreas costeiras. Contudo, o desafio é o aumento da demanda por tais soluções não acarretem no aumento proporcional do consumo de energia.
De acordo com estudos da Danfoss, empresa que desenvolve soluções de aquecimento e refrigeração com eficiência energética, a dessalinização que é feita por processos térmicos — ou seja, usa calor para evaporar a água e separar o sal — leva a um consumo de energia mais elevado. Contudo, a substituição gradual pela técnica da osmose reversa — que remove o sal e as impurezas da água marinha fazendo-a atravessar uma membrana semipermeável — contribui para uma queda significativa no consumo energético específico das plantas ao longo das últimas décadas.
“Os números ajudam a mostrar por que a eficiência energética deve ser considerada desde a concepção dos projetos, mas também apontam para uma oportunidade de modernização de plantas já existentes. Em vez de tratar o consumo como uma consequência inevitável do processo de produção de água, a revisão das condições de operação e a atualização de sistemas podem abrir espaço para ganhos relevantes” – Anderson Ferreira, engenheiro de Vendas da Danfoss.
Segundo a Danfoss, o consumo de eletricidade tem impacto direto no custo operacional de uma planta de dessalinização. Por isso, ganhos aparentemente pontuais de eficiência podem representar economias significativas quando considerados ao longo de anos de operação. A empresa irá apresentar os resultados de sua pesquisa no Congresso ALADYR Brasil 2026, e um dos exemplos a ser revelado compara diferentes configurações de uma planta com capacidade de 1.000 m³ de água por dia. Em uma das situações analisadas, a adoção de uma configuração mais eficiente reduziu o consumo específico de 3,6 kWh/m³ para 2,1 kWh/m³. Em outra comparação, a redução chegou a 54%, passando de 4,3 kWh/m³ para 2,1 kWh/m³.
O desafio, porém, não está apenas em escolher uma tecnologia mais eficiente, mas em olhar para o sistema como um todo. “Quando falamos em eficiência energética, é importante deixar de olhar para equipamentos de forma isolada e entender o desempenho do sistema como um todo. As condições de operação mudam e, por isso, a capacidade de adaptar o processo a essas variações é fundamental para evitar o uso de energia além do necessário”, conclui.
Por Victor Hugo Felix
Imagem: Divulgação
