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Regenerar a Cidade foi o tema no 4º Salão Rio de Interiores

Do ensino à prática, o segundo dia do Salão Rio de Interiores debateu como a arquitetura pode responder às transformações sociais, ambientais e tecnológicas e contribuir para novas formas de habitar e pertencer

 

O segundo dia do Salão Rio de Interiores, que nesta edição propõe o tema “Interiores Regenerativos: do Habitar ao Pertencer”, voltou o olhar para a cidade e para os caminhos possíveis de sua regeneração. Organizada em três escalas — indivíduo, cidade e planeta —, a edição 2026 conduz uma jornada que amplia progressivamente a reflexão sobre o papel da arquitetura contemporânea e sua capacidade de transformar realidades.

Nessa perspectiva, a cidade se apresenta como reflexo das relações estabelecidas entre pessoas, arquitetura e território. Habitação, educação, paisagem e políticas públicas entram em pauta para evidenciar que transformar o espaço construído vai além da intervenção física: significa fortalecer comunidades, enfrentar desigualdades e criar novas possibilidades de pertencimento.

No primeiro painel do dia, a academia ganhou espaço no palco para debater a “Formação para o Futuro: Ensinar Arquitetura para um Mundo em Transformação”. Reunindo representantes de importantes faculdades de arquitetura e urbanismo, com mediação de Sônia Lopes, a mesa discutiu como os cursos de graduação estão preparando as futuras gerações de profissionais para esses desafios, refletindo sobre a importância da arquitetura de interiores como disciplina fundamental na formação de arquitetos e urbanistas. Tanya Collado, arquiteta, urbanista e professora universitária, explicou que nos últimos 10 anos o curso de arquitetura mudou muito e essas profundas transformações sociais, ambientais e tecnológicas vêm exigindo novas abordagens no ensino.

Com quase 30 anos atuando na educação superior da área, o arquiteto e urbanista João Calafate apontou que não é mais possível desvincular interiores de exteriores, pois constituem hoje um campo estratégico de atuação profissional e de pesquisa, diretamente relacionado às novas formas de habitar e às demandas da sociedade contemporânea. Ele ressalta, inclusive, o papel do corpo docente em instigar e direcionar os alunos em busca desse repertório. Já Flávia de Faria, doutora e professora em arquitetura e urbanismo, trouxe um pouco da sua experiência de ensino na UPF – Universidade da Polinésia Francesa e destacou como é também um aprendizado projetar em outra realidade. E no contraponto dos docentes, a estudante Daniela Valdez Pedrazzoli, que deixou a área de TI para cursar arquitetura, complementou o debate com seu ponto de vista sobre os temas abordados pelo viés de quem está na sala de aula.

 

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Com auditório lotado, a tarde do Salão colocou em debate o “Habitar Também é Política Pública”, reunindo experiências em habitação de interesse social, regeneração urbana e desenvolvimento comunitário, numa conversa que demonstrou como arquitetura, interiores e políticas públicas podem atuar de forma integrada para transformar territórios, fortalecer comunidades e ampliar o acesso à dignidade por meio do ambiente construído. Com mediação de Romulo Baratto, o público se emocionou ao conhecer as iniciativas de duas jovens profissionais que estão transformando vidas por meio da arquitetura de interiores. A arquiteta e pesquisadora Ester Carro compartilhou a realidade das comunidades que ela conhece e com as quais convive desde que nasceu, e a motivação que a fez criar o Instituto Fazendinhando, que desenvolve projetos voltados à regeneração urbana, capacitação profissional e transformação de territórios vulneráveis. Entre dados alarmantes de brasileiros em domicílios considerados inadequados e boa parte deles sem instalações sanitárias, Ester apresentou histórias de vidas e depoimentos de quem foi impactado pelo instituto, e destacou “aprendi que antes de projetar qualquer espaço nas comunidades, nós precisamos construir confiança”.

Em um país com um alto déficit habitacional como o nosso, a designer de interiores e pesquisadora Cláudia Ferrari foi buscar dentro da sua expertise uma solução para tentar mitigar as dificuldades de adaptação dos moradores do Programa Minha Casa Minha Vida. Ela explica que o projeto Da Porta Pra Dentro surgiu para explorar o papel do design como instrumento para a promoção de bem-estar, pertencimento e transformação social. “Os programas habitacionais padronizam e compactam a moradia, mas a realidade é que as famílias acabam tendo composições diferentes e necessidade de otimização de espaços para convivência, trabalho e estudo”, explica Cláudia. Nesse sentido, ela encabeça essa parceria entre designers de interiores e assistentes sociais em busca de conforto e funcionalidade, com um portfólio de inúmeras entregas à população.

 

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Fechando o segundo dia de evento, Fernando Mungioli foi o mediador do painel “Arquitetura, Paisagem e Regeneração Territorial”, com a participação da arquiteta e urbanista Paula Otto, e da paisagista e pesquisadora Gabriella Ornaghi, que desenvolvem projetos que conciliam pesquisa, inovação, sustentabilidade e compromisso com o território, voltados à recuperação ambiental, valorização da biodiversidade e uso de espécies nativas como ferramenta para regeneração dos ecossistemas urbanos. Regenerar cidades exige compreender que arquitetura e paisagem são partes de um mesmo ecossistema. A conversa reuniu diferentes perspectivas para discutir como projetos arquitetônicos, planejamento urbano e recuperação ambiental podem atuar conjuntamente na construção de territórios mais resilientes, biodiversos e preparados para os desafios climáticos do século XXI.

 

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Imagens: Miguel de Sá e Renato Wrobel.

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