Com projeto sofisticado, residência em montanha no sul de Minas revela brasilidades em telhados e fogão a lenha, fazendo uso de pedras e madeiras
Uma casa no topo da montanha, a 1.220 metros de altitude. Esse foi o desafio do escritório Sabella Arquitetura para um terreno íngreme na região montanhosa de Gonçalves, município no sul de Minas Gerais, de um casal paulistano. Com 417 m2, o projeto previu configurar a casa em formato de “U”, com um pátio central, posicionado ao norte, a conectar todos os ambientes e utilizar o corpo da residência como proteção dos ventos gélidos vindos do Sul, promovendo maior conforto durante os invernos. O espaço social livre de paredes possibilita também visão paradisíaca a partir de vários pontos de vista.


A entrada encontra-se por baixo da residência, contornando-a até diretamente à garagem, protegida por uma pérgula coberta de vegetação. “Essa disposição foi inspirada por uma casa estilo balinês que conheci na infância, onde a entrada se dava pela área dos quartos, facilitando o acesso direto às suítes e ao espaço social, uma memória resgatada para a composição prática do projeto, especialmente pensando na conveniência de chegar a uma casa de veraneio com malas diretamente nas suítes”, ressalta Frederico Sabella.
O corpo principal da casa, com cinco suítes, é coberto por telhas cerâmicas com leve inclinação, buscando suavizar sua aparência e harmonização com a paisagem. Pérgulas nas extremidades reforçam a horizontalidade do projeto, promovendo sensação de continuidade, de integração com o ambiente natural da montanha. Contemporaneidade é isso.
O estar contempla a presença de uma lareira suspensa, cuja estrutura moderna e elegante proporciona um ponto focal interessante, enquanto amplas aberturas permitem vistas através dos vidros que o envolvem.


Demonstrando rusticidade, estruturada em madeira, a residência apresenta pilares antigos de uma tulha de café, talhados e envelhecidos. Aliás, painéis de madeira também fecham os quartos, com adequada ventilação. Muros e contenções de base foram produzidos com pedras do próprio terreno.
Pedras naturais revestem também a casa inteira. O piso cimentício percorre toda a casa, com exceção das suítes, onde novamente a madeira, neste caso de demolição, produz aconchego, conforto. As cabeceiras dos quartos são de tijolos brancos, em contraste com as paredes, rústicas também.
Na sala principal, um fogão à lenha aquece refeições em panelas de barro mineiras, destacando-se uma mesa de madeira robusta no espaço de jantar, cercada por um tapete de ladrilho hidráulico, que também reveste a cozinha.



