A preservação de recursos hídricos desponta como um dos fatores do desenvolvimento de mercados de alto padrão em regiões litorâneas
Diversos fatores são reconhecidamente atribuídos à valorização imobiliária, como localização, segurança, infraestrutura de transporte e boa manutenção do imóvel. Mas um elemento é pouco discutido: a proximidade com águas limpas. Segundo uma meta-análise da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que reuniu 36 estudos e 656 observações sobre a relação entre qualidade da água e mercado imobiliário residencial, o aumento de 1% na clareza da água está associado a uma alta média de 0,105% no valor dos imóveis localizados ao redor. Nas propriedades situadas em até 500 metros, mas sem frente direta para a água, a valorização média estimada foi de 0,026%.
Para Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício, imobiliária com atuação em Balneário Camburiú (SC), a preservação ambiental deixou de ser apenas um diferencial paisagístico e passou a integrar a análise patrimonial de quem procura um imóvel no litoral. “Em uma região como a Interpraias, a natureza não está separada do imóvel. Ela faz parte da experiência de morar, da qualidade de vida e da percepção de valor da propriedade. Quanto mais preservado estiver o entorno, maior tende a ser o interesse por imóveis que ofereçam essa relação direta com o mar e com a vegetação”, afirma.

A Interpraias está inserida na Área de Proteção Ambiental Costa Brava, que foi estabelecida para conciliar a ocupação urbana e a preservação dos recursos naturais. Graças às regras ambientais e urbanísticas locais, há limitações quanto às intervenções que podem ser feitas na região, delimitando parâmetros de uso e exigências quanto à regularidade dos imóveis.
Esses fatores impactam a oferta de propriedades na região, o que, ao mesmo tempo, permite que o mercado imobiliário de alto padrão tenha um bom desempenho – a combinação entre menor disponibilidade, baixa densidade e demanda por imóveis próximos à natureza faz com que haja empreendimentos no local que chegam a R$ 100 mil/m².
Girolamo explica que a negociação em uma área ambientalmente protegida exige conhecimento específico. “Um imóvel pode ter uma localização excepcional, mas a decisão precisa considerar todos os aspectos jurídicos, ambientais e urbanísticos. A valorização sustentável depende tanto da preservação do entorno quanto da segurança da negociação”, acrescenta.


Por Victor Hugo Felix
Imagens: Daniel Leite
