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O luxo está mudando de endereço: não quer ser visto, quer ser vivido

De novos destinos a experiências exclusivas, mercado de alto padrão revela a transformação nos desejos de um consumidor que valoriza cada vez mais discrição

 

Por muito tempo, não bastava possuir um item de luxo, era necessário exibi-lo, tornar visível aquela posse. E isso se aplicou ao mercado imobiliário. Dizer onde se mora foi parte da própria linguagem do alto padrão, com endereços conhecidos, condomínios disputados e imóveis que funcionavam como símbolos de status. Contudo, esse código começa a mudar: o luxo está cada vez menos relacionado à exposição e mais às experiências que poucos conseguem acessar. E parte disso se dá como resposta aos excessos de estímulos e à aceleração das relações de consumo.

Tais percepções são trazidas por Tamara Lorenzoni, especialista em gestão de marcas de luxo, segundo a qual o hiperestímulo sensorial da contemporaneidade faz com que atributos antes considerados secundários ganhem peso. Tempo, atenção, personalização e discrição, hoje, funcionam como elementos de valor, especialmente para consumidores que já têm acesso aos produtos e serviços tradicionais do mercado de luxo. Em artigo publicado recentemente, a profissional resume esse movimento ao afirmar que “uma das formas mais relevantes de escassez talvez não esteja mais no produto. Está na atenção”.

Desse modo, a partir de análises recentes sobre o comportamento do consumidor, a profissional aponta que o luxo contemporâneo envolve significado, experiência e a forma como uma marca ou serviço se relaciona com seu público. E no mercado imobiliário, isso se reflete na busca por imóveis que ofereçam uma experiência mais completa, com privacidade, natureza, segurança, serviços, conveniência e vivências personalizadas.

 

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Foto: James Florio.

 

Tais apontamos têm direcionado a forma como o mercado concebe novos empreendimentos. O imóvel deixa de ser pensado apenas como uma unidade residencial e passa a integrar um ecossistema de experiências, serviços e possibilidades de relacionamento. Segundo Thiago Castilho, empresário e CEO da Elemental Construtora, essa transformação do comportamento do leva à criação de projetos que consigam proporcionar algo além de sua metragem. “O alto padrão está cada vez menos ligado ao excesso e mais àquilo que é difícil de reproduzir”, afirma.

Exemplo é o empreendimento da Península Três Marias, em Minas Gerais, desenvolvido com a proposta de integrar arquitetura, natureza, lazer, experiências náuticas, hospitalidade e serviços. O projeto também prevê a Casa Élan, círculo privado que conecta proprietários a uma rede internacional de clubes e experiências, reforçando a ideia de que o valor de um imóvel pode estar também nos acessos e nas experiências que vêm com ele. “O que estamos construindo vai muito além de um empreendimento. Queremos criar uma comunidade conectada por interesses e experiências em comum”, declarou Castilho.

A mudança ajuda a explicar por que conceitos como clubes privados, segunda residência, hotelaria residencial, wellness e experiências personalizadas vêm ganhando espaço no mercado. Em vez de ostentar o acesso ao luxo, o novo consumidor de alta renda está cada vez mais interessado em não precisar provar que tem acesso a ele.

 

 

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