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Marcio e Liliane Barboza, da Atrium, apostam em coleção de móveis próprios

Em entrevista Marcio e Liliane Barboza, da Atrium, contam, para nós sobre sua nova aposta na coleção de móveis próprios com excelência no padrão de qualidade.

Responsável pela transformação da Atrium no final dos anos 1980, quando passou a importar móveis de grandes marcas internacionais, Marcio Barboza, seu chief creative officer , traz novidades para o negócio mais uma vez, ao lançar uma linha própria de mobiliário com o que ele chama de “padrão internacional”. Nesta entrevista, ele e sua esposa, Liliane Barboza – arquiteta responsável pelo desenvolvimento das coleções, projeto de interiores e styling da marca –, revelam a sua relação estreita com designers renomados, como Patricia Urquiola e Tom Dixon, além de um pouco das suas andanças pelo mundo em busca de um ideal: o bom design.

 

Conte um pouco sobre a sua trajetória.

Marcio Barboza: Fiz direito no Mackenzie [em São Paulo] e sou apaixonado por arquitetura, tanto que até casei com uma arquiteta. A Atrium foi fundada pela minha mãe, Aydèe Barboza, que fabricava móveis próprios. No final da década de 1980, quando foram abertas as importações, perdemos clientela e íamos fechar. Em uma viagem para Nova York, conheci a loja Moss e queria comprar deles para vender aqui. Eles me passaram algumas indicações, entre elas o nome do arquiteto e designer italiano Piero Lissoni, meu primeiro contato na Europa com o design de alto nível. Passei a importar e trouxe muitas marcas, como Vitra, B&B Italia, Minotti e Christian Liaigre. Também passamos a produzir aqui para algumas marcas italianas, como Living Divani e Porro.

 

E a sua trajetória, Liliane?

Liliane Barboza: Sou formada em arquitetura pela Belas Artes, depois trabalhei em uma grande incorporadora. Na Atrium, dirijo o atrium.studio, cuidando do desenvolvimento das coleções, projetos de interiores e styling. Uma parte relevante do que faço é o desenvolvimento do projeto têxtil, que é um dos pilares das coleções. Passo bastante tempo na Europa para isso.

 

Marcio, qual o seu papel no desenvolvimento da empresa?

M.B.: Ao invés de simplesmente comprar vários produtos e montar uma loja, compus o conceito da marca e montei showrooms próprios. A economia no Brasil não é fácil, por isso preferimos negociar com cada marca diretamente, além de lançar uma linha própria de móveis com padrão internacional. Muita gente pensa que queremos internacionalizar a marca. Na verdade, temos programada a abertura de um showroom nos Estados Unidos, com um parceiro que insiste nesse projeto, mas esse não é o nosso foco.

 

Poderia falar um pouco sobre a qualidade dos produtos da marca?

M.B.: A Atrium conseguiu um reconhecimento de excelência no que se propõe a fazer e isso aconteceu ao longo de 30 anos. Nesta nova coleção, queremos produtos com padrão internacional de qualidade, que podem ser comparados aos melhores do mundo. O que faz uma peça italiana se diferenciar? É uma série de ativos. Por exemplo, um sofá não é construído em uma marcenaria; é um produto usinado. Ao invés de pregar um parafuso na madeira, funciona como peças de quebra- cabeça, com encaixes. E ele apresenta uma durabilidade muito maior ao longo do tempo. Nós trouxemos essa tecnologia construtiva, cada móvel tem um projeto de engenharia específico. Na parte de espuma e tecidos fizemos a mesma coisa. Não podemos entregar um produto nacional com qualidade top sem usar as mesmas matérias-primas que eles empregam. Não queremos quantidade, mas o que fizermos tem que ser impecável.

 

Onde fica a fábrica?

M.B.: São três plantas na região de Barueri (SP). Uma é para produção de madeira, outra de metais e a terceira, de estofados. O parque produtivo tem um total de 8 mil m² de área.

 

Como vocês integram o conceito de lifestyle à marca?

M.B.: Para que possamos construir, precisamos ter um conceito, que está muito mais ligado ao lifestyle do que a produto. O móvel que propomos não é o protagonista de um espaço. Não vendemos artes nem antiguidades aqui, no entanto, as consideramos muito importantes. São expressões intelectuais que dependem de uma pessoa que tem um dom maior para pintar ou esculpir, ao invés do produto, que é mais transpiração do que inspiração. Eu não acredito que um sofá possa ser protagonista e concorrer com uma tela, que traz uma memória.

 

Inclusive no caso de um móvel assinado?

M.B.: Esse é o ponto. Achamos pretensioso assinar um móvel. Não gostamos de falar em lifestyle, porque a palavra está desgastada, mas não acreditamos em design de luxo. Um cara que conhece bem esse trabalho é o Philippe Starck. É um nome tão imediato, tão clichê quando se fala de design, mas ele é o cara, porque diz há muito tempo que o design tem que ser democrático. E isso é uma verdade, pois melhora a condição social e de vida das pessoas e dos espaços. Agora, pretender fazer isso com luxo é um contrassenso.

 

O que é luxo?

M.B.: Temos diversas interpretações. Luxo, em um produto, é uma coisa exclusiva. E não existe exclusividade em larga escala. O acesso restrito caracteriza esse produto. Se for acessível para todo mundo, então não é luxo. Luxo não é necessidade, é algo completamente dispensável. Quando você encontra materiais extremamente nobres, como plumas alemãs do peito do ganso, é realmente um luxo, porque são difíceis de obter e são caras. A pessoa tem que estar disposta a pagar por isso.

 

Vocês têm uma relação muito estreita com alguns designers internacionais. Como é isso?

M.B.: A Patricia Urquiola vem para o Brasil e fica na nossa casa. O Tom Dixon também, mas nunca tivemos a destreza de mandar isso para uma coluna social. Sempre mantivemos uma atitude low profile, mas ela está se tornando no profile, o que é péssimo… [risos]. Essa relação se deu ao longo dos anos, que não foram poucos. Temos uma relação muito estreita também com a Minotti [marca italiana de mobiliário] e agora propusemos um arquiteto brasileiro para assinar algumas de suas linhas. Há anos tudo é feito pelo Rodolfo Dordoni, que é um craque, mas agora também teremos um talento nacional. Mas, por enquanto, não podemos dizer quem é.

 

Como é sua relação com os designers nacionais?

M.B.: Dentro do design brasileiro há profissionais que chamam a atenção. O Zanini de Zanine esteve em casa – nós o adoramos –, mas como seu pai já tinha uma trajetória, se espera muito dele. Admiramos o Jader Almeida, pois achamos que ele tem senso estético e bom gosto, embora não o conheçamos pessoalmente. Também apreciamos a Claudia Moreira Salles e o Fernando Prado.

 

Vocês já andaram pelo mundo todo em busca de materiais e referências para as peças. Qual foi a experiência inesquecível?

L.B.: Em 2012 passamos alguns dias em Veneza, na companhia do arquiteto Tadao Ando. Com ele visitamos o museu Punta della Dogana, um de seus projetos mais importantes, além de vermos a produção artesanal de tecidos e vidros na região.

 

Quais são os hobbies do casal? Como é o relacionamento com as suas filhas?

L.B.: Viajamos muito a trabalho e nas nossas horas vagas também! As meninas são muito presentes na nossa rotina. Como elas têm uma proximidade grande de idade (6, 8 e 9 anos), sabemos que não teremos a sua companhia incondicional por muito tempo, devido às provas escolares e outras rotinas. Por isso, decidimos aproveitar companhia delas ao máximo nesta fase da infância.

redacao@editorialmagazine.com.br

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