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Feito com o coração

Luciano Mandelli conta sobre sua experiência à frente da Tidelli, seus desafios e sua paixão em desenvolver móveis.

 

 

A Tidelli, fabricante de móveis para áreas externas, ocupa uma posição de destaque em seu segmento. Aliando tecnologia e inovação, soma aproximadamente 300 colaboradores sob as ordens de seu presidente, o gaúcho Luciano Mandelli. Ele conta à CM, em entrevista exclusiva, sua trajetória profissional e algumas particularidades da empresa.

 

 

 

 

 

“É função de um líder manter as pessoas confortáveis dentro de seu trabalho, com poucos conflitos, buscando sempre um alinhamento entre todos os envolvidos”

Luciano Mandelli, presidente da Tidelli

 

 

 

 

 

 

Como foi o início da sua carreira?
Sou gaúcho, de Porto Alegre, trabalho desde os 17 anos; passei no vestibular em administração de empresas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, isso durante o segundo semestre. Como fiquei desocupado no início daquele ano, comecei a trabalhar. Iniciei a carreira em uma empresa da família, dentro do setor de autopeças, e passei grande parte desta experiência fazendo programas de trainee. Quanto tinha aproximadamente 20 anos fui aos Estados Unidos e passei um ano inteiro dentro da General Motors, em Detroit, fazendo um trainee na área de marketing; mais tarde seria integrado na sua área de desenvolvimento de produtos.

 

Então, o início da sua carreira se deu em um setor bem diferente ao moveleiro.
Eu fiquei 10 anos no mercado automotivo: trabalhei em uma divisão de autopeças da General Motors, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Era responsável pela área de desenvolvimento de produtos e de fornecedores. Isso seguiu até eu entrar no mercado de móveis, quando comprei a metade da Tidelli da minha irmã [Tatiana Mandelli] e assumi a empresa. Graças à minha trajetória no mercado automotivo, tinha uma equipe em vários países e desenvolvia os produtos por meio de vários processos, conciliando elementos plásticos, mecânicos, borrachas, estamparias. Para averiguar esses processos, devo ter visitado umas trezentas fábricas em mais de vinte países. Isso me deu uma bagagem muito grande, e levei essa experiência para a Tidelli.

Até então a empresa só trabalhava com alumínio e plástico, e depois dessa guinada, há dezenove anos, iniciou o desenvolvimento de processos que mudaram a sua produção. Começamos a operar em tecnologias bem diferentes, desde a fabricação de cordas náuticas, até injetados de plástico, marcenaria, vidraçaria, estofados, além de toda a parte metalúrgica, com a qual já estávamos acostumados. Trouxemos porcelanato e temos uma fábrica de guarda-sóis. Enfim, fomos mexendo a empresa nesses aspectos, e não nos assustamos com novos projetos industriais e tecnologias, agregando isso dentro do nosso portfólio.

 

Qual o diferencial da marca Tidelli?
A marca tem 27 anos de idade e desde o primeiro dia está comprometida com a mesma missão, que é a de criar e produzir móveis voltados para as áreas externas. Então, temos um foco, e todo nosso esforço está voltado para a investigação do que há de mais bacana nos materiais, na forma de utilizá-los em decks, varandas, terraços e piscinas. Estamos comprometidos com inovação, todo ano trazemos novidades para o mercado. Projetos diferentes, materiais distintos, cores, novos acabamentos. Montamos um ritmo de inovação e de soluções incessante nos últimos anos. Isso fez com que possuíssemos um catálogo de soluções incomparável.

 

Qual o papel social da empresa?
Uma coisa interessante na nossa trajetória é o aspecto artesanal. A maioria dos móveis para a área externa é feita com trama, e essa é uma indústria que nasce com uma demanda muito grande por mão de obra. Ou seja, enquanto todas as empresas querem industrializar seus processos e ter o menor número possível de funcionários, devido a questões de legislação trabalhista e até à própria imprevisibilidade do ser humano no trabalho, nós entendemos que só teríamos sucesso se conseguíssemos criar um método de gestão que inclua todos os colaboradores. Eles são a comunidade na qual estamos inseridos, até porque quando atuamos com indivíduos de baixa especialização lidamos com trabalhadores de baixa renda, de condições sociais mais difíceis.

Então, por exemplo, acabamos optando por instalar nossa fábrica no bairro mais carente de Salvador, que já é uma cidade extremamente necessitada na questão do emprego. Tivemos um projeto social dentro deste bairro para justamente gerar emprego e renda local. Hoje contamos com mais de 300 colaboradores, a grande maioria mora ao lado da fábrica, nessa comunidade, e vai a pé ou de bicicleta, e os filhos deles já trabalham conosco. Criou-se uma situação de integração do trabalho com essa comunidade, o que atribui um diferencial. Enquanto todas as outras empresas estão investindo para criar mais tecnologia, eliminar postos de trabalho, quanto mais empregos conseguimos criar, mais fazemos dentro da nossa missão e da nossa missão social.

Assim, temos produtos mais artesanais, que dependam mais de gente comprometida. É ir pelo caminho mais difícil; dialogar com essa mão de obra é ir na contramão do mercado. E, apesar dessa decisão, com um acompanhamento produtivo, onde cada trabalhador é avaliado individualmente, com uma remuneração variável baseada em produtividade, conseguimos fazer a fábrica funcionar de maneira muito eficiente.

 

Qual a função de um líder?
A principal é manter a organização – apesar de todas as variáveis! Manter as pessoas confortáveis dentro de seu trabalho, com poucos conflitos, buscando sempre um alinhamento entre todos os envolvidos. Essa é a parte mais importante de quem lidera, mantendo também o moral alto, o que, na minha opinião, é fundamental. Outra função é prover um olhar sempre novo sobre a instituição.

Em certo momento, com 10 anos já de fábrica, eu não conseguia mais perceber o que acontecia fora dela. Estava tão envolvido com processos internos que a marca começou a perder ritmo de inovações, e até uma parcela de mercado. Então, tive que ir para fora, fui morar em São Paulo, depois voltei para Porto Alegre, e esse distanciamento foi o modo com que consegui começar a perceber os erros e colocar a empresa de novo no caminho do crescimento. É preciso estar sempre alerta, olhando sempre para frente e antecipando os próximos passos. É pensar no dia de amanhã, não só no que está sendo produzido hoje.

 

Como o líder gerencia crises?
Estamos há 27 anos em uma trilha, então já aprendemos a não descapitalizar a empresa, não perder o cuidado com determinados processos que são importantes para a oxigenação do próprio negócio. E o momento de crise é também um momento de oportunidade. Muitos concorrentes enfraquecem, o mercado encolhe, mas a oferta encolhe também, então é ir atrás dessa margem.

 

Como é seu cotidiano fora da fábrica?
Moro na beira da praia, na Bahia, e quatro dias por semana estou dentro da água, pegando onda. Agora, nos sete dias da semana também me dedico ao desenvolvimento de produtos da marca, o que se tornou um dos meus hobbies preferidos. Tenho essa ligação com desenhar e desenvolver móveis. Não encaro mais isso como uma atividade de trabalho, como parte da minha profissão.

Tidelli

 

 

 

 

Por Gabriel Alves
Imagens divulgação
Matéria Publicada em Revista CM 178

 

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