Segurança estrutural, confortos acústico e térmico, durabilidade de materiais, acessibilidade. A nova era dos sistemas de transporte vertical une algoritmos inteligentes a cabines de excelência, promovendo significativas experiências visual e sensorial dos passageiros
Eficiência máxima, conforto, sustentabilidade. As tecnologias em sistemas de transporte vertical apresentam hoje significativa evolução para a garantia do essencial: a integridade física dos usuários. Nesse sentido, às inovações tecnológicas adiciona-se maior rigor normativo. As tecnologias aplicadas modernas incluem, por exemplo, sistemas de antecipação de destino, a fim de se otimizar o tráfego e reduzir tempo de espera, quando o passageiro seleciona o andar em painel externo antes de entrar na cabine. Motores sem engrenagens, com utilização de imãs, dispensando óleos lubrificantes, poluentes, com significativa redução do consumo de energia elétrica. Sistemas regenerativos, os quais capturam energia cinética produzida pelo elevador em movimento, convertendo-a em eletricidade. Manutenção preditiva via loT, sensores que monitoram vibração, temperatura e ciclos de aberturas de portas, onde os dados produzidos permitem corrigir falhas em tempo real. Conectividade, com telas multimídia integradas. Sistemas com purificadores de ar que eliminam micro-organismos.
Para a aplicabilidade desses sistemas em projetos, vários são os procedimentos: deve-se definir as dimensões exatas da caixa de corrida, do poço e da altura superior livre (espaço vertical entre o teto da cabine em sua posição mais alta e o teto da caixa de corrida para instalação de componentes e garantia de segurança em manutenção); deve-se atentar se os modelos disponíveis pelos fabricantes exigem casa de máquinas tradicional ou se possuem tecnologia MRL, relevante para projetos residenciais ou comerciais com limitações de gabarito; deve-se definir quais os limites de peso e espessuras para revestimentos internos que visem não ultrapassar a carga útil do sistema; quais cargas o elevador vai transmitir à estrutura do edifício.
Outros muitos itens devem ser considerados em projetos, como níveis de ruído e vibração, assim como quais isolamentos serão recomendados para se garantir conforto acústico, se o sistema utiliza tecnologia de tração regenerativa e qual consumo de energia em pico e em repouso. Enfim, tecnicidades que somente os fabricantes podem explicitar aos projetistas.
Normas e regulamentações
A segurança em elevadores no País é normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, sendo obrigatório o cumprimento das regras estabelecidas por leis municipais. As principais são: ABNT NBR 16858, que estabelece requisitos para a fabricação e instalação de elevadores de passageiros e de cargas, ABNT NNR 313, a qual regulamenta os requisitos para acessibilidade, definindo dimensões mínimas da cabine para cadeirantes, uso de sinais sonoros e painéis em braile; a ABNT NBR 16083, a qual especifica critérios para manutenção, como vistorias periódicas e qualificação para a prestação de serviços.

Para se entender o processo de evolução, desenvolvimento e inovação em sistemas de transporte vertical no País, Casa e Mercado entrevista Eduardo Kalynytschenko, gerente executivo de governança de produto da Atlas Schindler, sobre temas relevantes para a arquitetura, como eficiência, acessibilidade e conformidade técnica. Confira!
Casa e Mercado: Quais as classificações de eficiência energética dos novos modelos da Atlas Schindler, considerando a ISO 25745?
Eduardo Kalynytschenko: Os elevadores Schindler 1000, Schindler 3000, Schindler 5000, Schindler 6000 e Schindler 7000 podem alcançar a Classe A de eficiência energética, a classificação mais elevada prevista pela norma ISO 25745. Essa performance é resultado da combinação de tecnologias desenvolvidas para reduzir o consumo de energia durante toda a operação do equipamento. A classificação final, no entanto, varia conforme a configuração de cada projeto, considerando fatores como capacidade, velocidade, padrão de utilização e demais especificações técnicas. Somente para fins explicativos, o Schindler 3000, quando instalado em um edifício de até dez paradas e velocidade de 1m/s, possui um consumo de energia equivalente a um refrigerador.
Casa e Mercado: Os sistemas dos novos modelos possuem tecnologias de regeneração de energia?
Eduardo Kalynytschenko: Os novos modelos contam com acionamento regenerativo, tecnologia capaz de reaproveitar parte da energia gerada durante o funcionamento do elevador, especialmente nas frenagens e deslocamentos com cargas favoráveis, devolvendo essa energia para a rede elétrica do edifício. Além disso, os equipamentos incorporam iluminação em LED, modo standby para iluminação e ventilação da cabine quando o elevador permanece ocioso e máquinas sem engrenagens, que proporcionam maior eficiência energética, menor desgaste mecânico e redução das necessidades de manutenção.
Casa e Mercado: Os modelos possuem interface para integração com sistemas de automação predial?
Eduardo Kalynytschenko: Sim. Os modelos Schindler 3000, Schindler 5000, Schindler 6000 e Schindler 7000 podem ser integrados às soluções digitais da Atlas Schindler, permitindo o gerenciamento inteligente do fluxo de passageiros, controle de acesso e monitoramento da operação dos elevadores. Entre essas soluções está o Schindler Port, sistema de otimização de tráfego e controle de destino que organiza os passageiros antes mesmo do embarque, agrupando pessoas com destinos semelhantes. Essa tecnologia reduz tempos de espera, melhora o fluxo de circulação e aumenta a eficiência do transporte vertical, especialmente em edifícios corporativos, empreendimentos de uso misto e edifícios de grande porte.
Já o Schindler Ahead oferece monitoramento remoto contínuo dos equipamentos, permitindo acompanhar indicadores de desempenho e apoiar uma manutenção mais eficiente. Além disso, o Schindler CoLab amplia as possibilidades de integração ao permitir a conexão dos elevadores com robôs autônomos por meio de uma arquitetura aberta, sem restrições a fabricantes, modelos ou tecnologias específicas. Essa interoperabilidade oferece maior flexibilidade aos empreendimentos e facilita a evolução tecnológica dos edifícios ao longo do tempo. Outras integrações com tecnologias de terceiros podem ser avaliadas caso a caso.
Casa e Mercado: Possuem tecnologias que utilizam sensores inteligentes para monitoramento em tempo real?
Eduardo Kalynytschenko: A plataforma Schindler Ahead utiliza recursos avançados de conectividade e monitoramento remoto contínuo para acompanhar, em tempo real, o desempenho dos equipamentos. Por meio da conexão dos elevadores à internet, a tecnologia coleta e analisa dados de operação, permitindo o acompanhamento de indicadores relacionados à utilização, desempenho e funcionamento dos equipamentos. Essa inteligência digital viabiliza uma abordagem de manutenção cada vez mais preditiva, contribuindo para a redução de paradas não programadas, o aumento da disponibilidade dos elevadores e uma gestão mais eficiente do transporte vertical ao longo de todo o ciclo de vida dos equipamentos.
Casa e Mercado: Quais os mecanismos de segurança física ou digital?
Eduardo Kalynytschenko: Os elevadores da Atlas Schindler seguem rigorosos padrões internacionais de segurança e contam com sistemas eletrônicos de monitoramento desenvolvidos para garantir a operação segura dos equipamentos. Além dos recursos embarcados nos próprios elevadores, a companhia oferece soluções digitais que ampliam tanto a segurança física quanto o controle de acesso dos usuários. Além do Schindler Port, sistema de gerenciamento de tráfego já mencionado anteriormente, e das novas botoeiras modelo Primea, que integram diversos controles de acesso e ampliam as possibilidades de conectividade e gestão de acesso e informação , podemos citar outros periféricos que também se integram aos nossos produtos com fins mais específicos, como o Schindler SaS (Sistema de Acesso Seguro), que restringe o acesso aos pavimentos conforme as permissões definidas pela administração do edifício.
O Schindler SaS Face utiliza tecnologia de reconhecimento facial para autenticar usuários e liberar automaticamente o acesso aos andares autorizados, proporcionando uma experiência sem contato, mais conveniente e segura. Já o Schindler SaS Touch permite autenticação por digital, cartões RFID, senhas numéricas ou alfanuméricas e aplicativo de celular, garantindo flexibilidade para diferentes perfis de empreendimento.Complementando esse ecossistema digital, o Schindler Ahead realiza o monitoramento remoto dos equipamentos, apoiando ações de manutenção preventiva e contribuindo para maior disponibilidade operacional dos elevadores.

Casa e Mercado: Quais os sistemas de resgate de passageiros em caso de falta de energia?
Eduardo Kalynytschenko: Os equipamentos podem ser configurados com sistema automático de resgate de passageiros. Em caso de interrupção do fornecimento de energia, o elevador utiliza alimentação auxiliar para deslocar a cabine até o pavimento mais próximo, realizar a abertura das portas e permitir o desembarque seguro dos passageiros, reduzindo significativamente situações de aprisionamento. Além disso, nossos elevadores conectados ao Schindler Ahead permitem que, ao se restabelecer a energia, sejam reativados à distância sem necessidade de visita presencial de um técnico caso não exista nenhum sinal de falha ou comprometimento de segurança do sistema.
Casa e Mercado: Os sistemas utilizam conceito de casa de máquinas reduzida ou mesmo dispensam casa de máquinas?
Eduardo Kalynytschenko: Grande parte das novas linhas de produto Schindler foi desenvolvida com conceito sem casa de máquinas. Os modelos Schindler 1000, Schindler 3000 e Schindler 5000 dispensam esse ambiente técnico, proporcionando maior liberdade de projeto e melhor aproveitamento da área construída. Já o Schindler 6000 oferece maior flexibilidade de instalação, podendo ser configurado com casa de máquinas, mini casa de máquinas ou sem casa de máquinas, conforme as necessidades da edificação. Nosso único modelo que faz uso de casa de máquina em todas as aplicações é o Schindler 7000, devido à sua utilização em arranha-céus e edifícios muito altos, que demandam um sistema de transporte vertical de altíssima velocidade.
Casa e Mercado:: Há alguma consideração a fazer quanto às dimensões das cabines visando redução da caixa de corrida?
Eduardo Kalynytschenko: Sim. A plataforma foi desenvolvida para oferecer diferentes combinações de dimensões de cabine, capacidades e layouts, permitindo otimizar o espaço disponível na caixa de corrida sem comprometer conforto, acessibilidade ou desempenho operacional. Essa flexibilidade amplia as possibilidades de projeto e facilita a adaptação dos elevadores às características específicas de cada empreendimento.
Casa e Mercado: Quais materiais de baixo impacto ambiental foram incorporados nos novos modelos?
Eduardo Kalynytschenko: A nova geração de elevadores foi desenvolvida em linha com princípios de construção sustentável e transparência ambiental. Os equipamentos possuem Environmental Product Declaration (EPD), documento internacionalmente reconhecido que informa, de forma transparente e auditável, os impactos ambientais do produto ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas até o descarte. Essas informações também apoiam empreendimentos que buscam certificações ambientais, como LEED e AQUA-HQE.
Além disso, a plataforma incorpora elementos de tração mais leves, que contribuem para reduzir o consumo de energia e aumentar a eficiência operacional. Há também diferentes opções de acabamentos, incluindo cerâmicas, laminados, vidros e revestimentos que reproduzem materiais naturais, opções de pisos com alto percentual de materiais reciclados permitindo aliar desempenho técnico e qualidade estética.
Casa e Mercado: Os modelos utilizam LED inteligente para iluminação?
Eduardo Kalynytschenko: Todos os modelos utilizam iluminação em LED de alta eficiência, associada ao modo standby, que reduz automaticamente o consumo de energia quando o elevador permanece sem utilização. Essa combinação contribui para aumentar a eficiência energética do equipamento e reduzir os custos operacionais da edificação.
Casa e Mercado: Quais opções de personalização estética estão disponíveis?
Eduardo Kalynytschenko: A personalização é um dos pilares da concepção das linhas Schindler 5000, Schindler 6000 e Schindler 7000. Desenvolvidos sob o mais alto padrão de qualidade e inovação, os modelos oferecem um nível de customização sem precedentes. Os clientes terão a liberdade de escolher entre uma vasta gama de materiais sofisticados, como cerâmica, laminados e vidros, além de acabamentos de alta qualidade, rodapés altos elaborados com materiais diferenciados, opções de iluminação variadas e designs exclusivos, que permitem que o elevador se integre totalmente à estética dos ambientes. A proposta é fazer com que o elevador deixe de ser apenas um elemento funcional e passe a integrar a linguagem arquitetônica do edifício.
Em termos de design, os modelos também contam com nova linha de botoeiras Primea, na cor preta. Com Interface moderna e intuitiva, as botoeiras oferecem informações em tempo real, mídia integrada e recursos inovadores para uma viagem mais conectada. É possível escolher o conteúdo digital que será exibido, ter conexão com o celular via bluetooth, agendar viagem exclusiva no elevador, fornecer convite virtual para visitantes até um andar predefinido e configurar as preferências do usuário, como velocidade de abertura da porta do elevador, previsão do tempo, informações e entretenimento nos painéis. Além disso, os modelos contam com a possibilidade de instalação de botoeiras dupla, uma de cada lado da cabina, tornando a viagem dos usuários mais ágil e confortável.

