Tecnologia se consolidou como estratégia para compensar o subaproveitamento das informações geradas pelo setor construtivo
Segundo análises da Autodesk, empresa que desenvolve software para iniciativas de diferentes setores, as empresas de arquitetura, engenharia, construção e operações geram 149% mais arquivos do que empresas de outras áreas com grau semelhante de complexidade. Contudo, mais de 25% da semana de trabalho dos líderes é destinada a buscar e analisar informações sobre os projetos. A perda em produtividade traz impactos na gestão: cerca de 95% das informações não são utilizadas pelas empresas, o que resulta em 92% dos projetos extrapolando orçamento ou cronograma.
A solução encontrada tem sido a combinação entre inteligência artificial (IA) e automação, transformando o volume de dados em ganhos de produtividade. Na avaliação de Theo Agelopoulos, vice-presidente global de Estratégia de Design para AECO da Autodesk, o desafio passou a ser organizar e utilizar os dados gerados pelos projetos para apoiar decisões em tempo real. “Parte significativa do tempo das equipes ainda é consumida pela busca de informações espalhadas em diferentes sistemas. O objetivo é reunir esses dados em um ambiente integrado para que as decisões sejam tomadas com mais rapidez e segurança”, explica. Tais considerações foram apresentadas no Design & Make Summit Brasil, em São Paulo.
A fragmentação dos dados ainda está entre as principais causas de atrasos, retrabalho e perda de produtividade das empresas de AECO. Contudo, as inovações do mercado podem ser aliadas no concatenamento de informações para que os processos sejam otimizados, e os resultados, mais assertivos. Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), o setor recebeu R$ 280 bilhões em investimentos em 2025, aumentando a demanda por soluções que elevem a produtividade e melhorem o controle de custos, prazos e riscos.
“As novas tecnologias permitem simular alternativas de projeto, identificar conflitos antes do início das obras, prever riscos e acompanhar os ativos durante a operação. Com isso, é possível reduzir o retrabalho e ampliar o controle sobre custos e cronogramas”, afirma Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil.

Dados como base para estratégia de negócios
O uso de IA já é amplo no mercado, o que foi comprovado por Sasha Crotty, vice-presidente de Estratégia de Dados para AECO da Autodesk. Segundo a executiva, os levantamentos indicam que 98% dos líderes utilizam continuamente pelo menos uma ferramenta de dados, enquanto 65% das empresas já aplicam inteligência artificial em suas decisões.
A executiva também destaca o avanço dos agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas, analisar informações e coordenar fluxos de trabalho de forma autônoma — 59% dos executivos esperam incorporar esse tipo de solução nos próximos 12 meses. “Os líderes estão pensando em dados não só para aprimorar seus produtos e serviços, mas como base para a estratégia de negócios e a tomada de decisão, para identificar fatores de risco durante todo o projeto e sugerir um plano de ação”, pontua.

Por Victor Hugo Felix
