A estética dos playgrounds ultrapassa os espaços corporativos e chega à arquitetura residencial, hoteleira e cultural, criando ambientes imersivos que estimulam os sentidos, a criatividade e novas formas de interação
Nos últimos anos, a arquitetura de projetos corporativos tem investido em diversos recursos visuais para estimular a criatividade e as interações entre colaboradores. Cores, texturas, adereços decorativos e paisagismo são as principais soluções encontradas para fazer com que o espaço de trabalho tenha ares de playground. Há, contudo, uma crescente tendência de tornar outros tipos de projetos em espaços lúdicos, desde hoteis a museus, restaurantes e até mesmo residências. É a chamada “hyper playground”.
Apesar de muitos projetos residenciais promoverem espaços de aconchego e acolhimento, há aqueles que visam experiências imersivas. A ideia é que casas e apartamentos sejam locais de desconexão, fugindo da produtividade excessiva nas rotinas de trabalho. Os estímulos sensoriais trazidos pelas cores e texturas, bem como plantas e design, geram uma espécie de deslocamento no tempo-espaço, permitindo que a imaginação tome conta.
Formas geométricas
O uso de formas geométricas é um dos recursos que mais remetem a um playground, uma vez que carregam os signos da primeira infância e dos processos de aprendizagem. As formas ainda estimulam a criatividade e as interações sociais, e podem ser aproveitadas pela arquitetura de diferentes formas.
No projeto CT II Residence, em São Paulo (SP), assinado pelo escritório Reinach Mendonça Arquitetos Associados, as linhas retas são dispostas de formas livres, formando blocos, molduras e painéis. Até mesmo a escada tem formas vazadas tão precisas que convidam à interação.


Já na Casa da Baro, em Bragança Paulista (SP), o escritório Passarelli Arquitetos inclui linhas curvas no projeto para contrapor as retas predominantes. Além da escadaria escultural, que conecta o primeiro e o segundo pavimento num movimento livre, a piscina é completamente circular, trazendo um grande impacto visual.


Na Casa Xingu, em Nova Lima (MG), linhas retas e curvas se encontram num jogo complexo de formas e profundidades. A volumetria brinca com movimentos, criando um espaço que pode ser explorado como numa brincadeira. E a paisagem ao redor, integrada ao projeto, amplia a experiência imersiva que a casa proporciona.


Decoração e design
Outro aspecto importante no hyper playground é o uso de objetos decorativos e peças com design únicos que possam estimular a interação com o espaço. O uso de texturas, sejam elas naturais ou sintéticas, agregam na experiência. E quando as cores são vibrantes e chamativas, o visual se enriquece.
O escritório Granatti Studio usou a criatividade na escolha do mobiliário deste projeto em São Paulo (SP). Com peças que vão desde o vintage ao contemporâneo, passando por poltronas de pelúcia e compostas por formas geométricas, o espaço cria um mix de contrastes e coesões que aguçam a curiosidade. O painel de pedra natural e as obras de arte incrementam a estética lúdica.


Na Casa Leopoldo, também em São Paulo, assinada pelo escritório ADI Arquitetura, o sofá central é um dos grandes protagonistas. Inspirada no símbolo do infinito, a peça é praticamente uma única linha em movimentos curvos, remetendo a um escorregador. Outros sofás verdes dialogam com as obras de arte nas paredes, capturando a atenção dos visitantes.


Neste apartamento em Balneário Camboriú, a arquiteta Paola Granzotto optou por um sofá que ajuda a compor a base neutra do projeto, e fez uso amplo de obras de arte e peças de design que trazem vibração e ludicidade. O pendente assinado pelos Irmãos Campana e as cadeiras de Jacopo Foggini, feitas de policarbonato translúcido com tons de azul e verde, geram uma brincadeira estética.


Por Victor Hugo Felix
