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Entrevista exclusiva com presidente da Fujitsu

Confira a entrevista com Katsuya Fujii, na qual ele nos conta um pouco sobre sua trajetória e como é ser um líder de uma multinacional.

Por Marina Samaritano

 

Como um espelho

Para Katsuya Fujii, da Fujitsu General do Brasil, os paradigmas de um líder são fundamentais para o sucesso da empresa e de seus funcionários.

 

Nascido no Japão, o engenheiro mecânico Katsuya Fujii é, desde 2010, o presidente da Fujitsu General do Brasil, focada em climatização no território verde-amarelo. Fujii coordena uma equipe de aproximadamente 45 funcionários que se dividem entre as áreas de vendas, serviços e administrativa em sua sede, em São Paulo. Atualmente, a companhia não possui fábrica própria no país, porém alguns modelos são produzidos em Manaus por uma empresa parceira.

 

“Acredito que afeto e respeito sejam fundamentais para a produtividade da equipe”.

 Conte um pouco sobre a sua trajetória.

Nasci na ilha de Sapporo, ao norte do Japão, e me formei em engenharia mecânica pela universidade de Hokkaido. Em 1975 comecei a trabalhar nos departamentos de negócios exteriores e vendas de sistemas de comunicação da Fujitsu General Limited, que possui mais de 100 empresas ao redor do mundo e é um dos maiores conglomerados nipônicos em tecnologia da informação, comunicação e semicondutores. Durante 17 anos tive experiências de negócios, como gerente de vendas, em países como Colômbia e Estados Unidos, onde cheguei a morar, além de Rússia, México e leste europeu. Já visitei 46 países. Por conta dessa bagagem e por ter conhecimento em relação a práticas comerciais, sistemas de tributação e questões trabalhistas da região, fui escolhido para ser o presidente da Fujitsu General do Brasil.

 

 

O que é ser um líder?

“Os filhos crescem olhando as costas dos pais” é um provérbio muito conhecido no Japão. Ele quer dizer que, para crescer, as pessoas precisam de um espelho, alguém que mostre como prosseguir. Para mim, a postura de um líder precisa ser exatamente essa. Ele deve, ao invés de apenas dar instruções detalhadas do que fazer, mostrar qual o melhor modo de agir em determinada situação, servindo de modelo e fazendo com que os funcionários consigam, a partir daí, pensar e resolver problemas sozinhos baseados naquilo que seu superior faria.

 

Como um líder identifica um talento?

Um talento tem opinião própria e atitude. Ele sabe que, se quiser crescer, não deve apenas esperar instruções de seu superior. Suas experiências, inclusive, podem ser bem-sucedidas ou fracassadas. Quando fracassadas, tem o poder de analisar a situação e os problemas para que eles não se repitam, fazendo com que se torne capaz de construir um futuro promissor.

 

Como um líder mantém a equipe produtiva?

O compartilhamento de informações com os funcionários é essencial para isso. Também dou muita importância à sua opinião; sempre que preciso tomar alguma decisão relevante, recorro ao seu ponto de vista, para saber como enxerga o ocorrido. Além disso, acredito que afeto e respeito sejam fundamentais para a produtividade da equipe.

 

Pode citar alguma diferença entre as ações de uma liderança no Japão e no Brasil?

No Japão, muitas vezes se adota o sistema de “bottom-up”, isto é, para que um projeto seja aprovado, o solicitante deve, em primeiro lugar, pedir aprovação para seu superior imediato, e assim por diante, até chegar ao presidente. Por isso, mais de 10 carimbos de aprovação podem ser vistos em um único formulário. Com esse sistema, caso ocorra algum problema ou fracasso, não fica claro quem deveria assumir a responsabilidade pelo ocorrido. No ocidente, como é o caso do Brasil, muitas empresas adotam o sistema de “top-down”, ou seja, o presidente assume a responsabilidade total em relação às decisões estratégicas e às despesas. Por conta disso, o líder deve ter capacidade de analisar todos os negócios e planejar as estratégias, pois se suas decisões forem erradas, a empresa poderá sofrer riscos. Neste caso, o líder tem mais poder e, ao mesmo tempo, mais responsabilidade perante suas decisões e ações. Não é possível afirmar qual dos sistemas é melhor, pois cada um soma pontos positivos e negativos. Entretanto, é importante uma liderança ter iniciativa e capacidade de prever situações e negócios futuros.

 

Qual o principal desafio de um líder e como ele deve gerenciar crises?

Vivemos hoje no Brasil um momento muito delicado em relação à economia, política, mercado e segurança. Acredito que o maior desafio seja, em momentos como este, fazer com que a empresa cresça a partir de sua capacidade de liderança, inspiração e habilidade de execução. Para gerenciar esta crise, criamos um modelo de negócio inédito, que apresentará novas parcerias já no segundo semestre deste ano. Acredito que logo poderemos falar sobre esta estratégia.

 

Qual o segredo da empresa para ser reconhecida no mercado e manter sua reputação?

Acredito que a principal responsável pelo prestígio e notoriedade da Fujitsu seja a qualidade oferecida em cada um de seus produtos. Para que possamos manter esse alto nível, existe um controle rigoroso na etapa de montagem. Além disso, desde sua chegada ao Brasil, em 1980, apostou no ar-condicionado Inverter. Essa tecnologia fez com que a marca se diferenciasse, já que, enquanto as concorrentes vendiam apenas aparelhos capazes de esfriar, a Fujitsu privilegiava os que refrigeravam e aqueciam. Outro modelo que eleva a reputação da companhia é o Multi Split, que possibilita a instalação de até quatro evaporadores para um único condensador.

 

Como o marketing pode ajudar no crescimento da empresa?

O marketing é o responsável por transmitir a qualidade dos produtos e a autoconfiança da empresa aos representantes comerciais e, também, aos consumidores. Assim que o ar-condicionado do modelo Inverter chegou ao Brasil, por exemplo, o marketing se ocupou da divulgação dessa nova tecnologia em todas as plataformas de mídia, fazendo com que ele seja automaticamente ligado à marca.

 

Como funciona o desenvolvimento de novos produtos?

É feito a partir da pesquisa de tendências do mercado brasileiro sobre as necessidades dos consumidores que vivem aqui. Essas informações são passadas para o Centro de Desenvolvimento de Produtos da matriz, que fica no Japão. Assim, são desenvolvidos produtos especiais para o mercado local.

 

A Fujitsu prevê lançamentos ainda neste ano?

Estudamos a possibilidade de desenvolver aparelhos de ar-condicionado que sejam ativados via wifi; porém, como ainda estamos na fase de pesquisas, não temos previsão para o lançamento.

 

Como a Fujitsu aplica a sustentabilidade em seus produtos e práticas?

Desde sua chegada ao Brasil, a empresa apostou na venda do modelo Inverter. Ademais de controlar o número de rotações do compressor, mantendo a temperatura do ambiente sempre constante e economizando energia, o Inverter reduz a quantidade de gás carbônico lançado na atmosfera. Além dessa preocupação com a sustentabilidade exposta na tecnologia dos próprios produtos, a Fujitsu também oferece treinamentos e cursos periódicos aos instaladores, ensinando como fazer para que o gás freon não seja emitido e como recuperá-lo no momento da desinstalação e transferência de aparelhos. Acredito que, nos dias de hoje, onde a sustentabilidade está tão presente, ter produtos que não agridam o meio ambiente ou que visem diminuir o seu impacto, é a chave para a sobrevivência das empresas.

 

Quais os seus hobbies?

Minhas atividades favoritas são jogar golfe e ler. Comecei a me interessar pelo golfe na Colômbia, pois em Bogotá há vários campos e gostava de jogar com a minha família. Em relação à leitura, meus livros favoritos são aqueles sobre negócios e também os de história.

redacao@editorialmagazine.com.br

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