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Entrevista com Luciano Mandelli, o homem à frente da Tidelli

Luciano Mandelli é o homem à frente da Tidelli, marca de móveis para áreas externas que aposta em customização e inovação.

A Tidelli foi fundada em 1989 e desde então é marcada pelo design inovador (Marcelo Rosenbaum e Maria Cândido Machado são alguns dos profissionais que assinam peças para a marca), pelos materiais considerados revolucionários para esse tipo de móvel (como o Corian® e os laminados estruturais de alta pressão) e pela durabilidade de suas peças. Dez anos depois de abrir as portas, com a entrada de Luciano Mandelli no negócio familiar, a marca se tornou referência no mercado e viu seu nome ganhar força e projeção nacional. Nesta entrevista, o presidente da empresa conta o segredo do sucesso.

 

Qual sua trajetória antes de entrar na Tidelli?

Sou gaúcho e me formei em administração de empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Venho de uma família de empresários, então essa escolha acabou sendo natural; acho que o empreendedorismo está no sangue da família. Trabalhei dez anos no setor automotivo. Era encarregado da parte de desenvolvimento de fornecedores dentro do grupo de autopeças da General Motors. Fui parar na Tidelli em 1999, junto à minha irmã, a Tatiana Mandelli, porque queria trabalhar com algo menor, mais simples. Estava cansado de ser levado, queria dar eu mesmo o rumo ao negócio.

 

Como sentiu a transição de setores?

O ambiente automotivo é muito mais complexo, inclusive no que diz respeito à tecnologia. Mas o setor de decoração, de modo geral, é mais dinâmico porque trabalha com coleções todos os anos. As coisas acontecem com uma velocidade mais rápida e é muito mais flexível. Na Tidelli, normalmente fazemos um lançamento por ano, que geralmente acontece no primeiro semestre, entre março e abril. Costumamos introduzir de 15 a 20 novos itens.

 

O que mudou com sua entrada na Tidelli?

A empresa já era conhecida pelo mobiliário exclusivo para áreas externas, porém, não tinha uma boa estrutura de gestão industrial. Acabei entrando para ajudar nos processos. Foi quando decidimos investir em uma nova fábrica e migramos de Porto Alegre (RS) para Salvador (BA). Montamos um projeto de inclusão social, junto com o governo da Bahia, e construímos um parque industrial em Valéria, um bairro de baixa renda da capital baiana. Também atraímos outras indústrias de produtos não poluentes e, com isso, hoje são gerados mais de dois mil empregos naquela comunidade carente, que antes da nossa chegada apresentava uma taxa de 92% de desemprego.

 

Como a Tidelli se tornou referência no mercado de móveis para áreas externas?

Como o nosso produto é feito à mão no Brasil – ou seja, não é importado –, podemos ser extremamente flexíveis no processo de venda. Temos o perfil de uma empresa local, brasileira, e nos aproveitamos disso para termos cada vez mais flexibilidade. Os móveis são customizáveis quanto às cores e aos materiais utilizados. Então, a base do nosso raciocínio é sempre pela flexibilidade e pela questão do produto ser feito à mão.

 

Quem é o cliente da Tidelli?

Nosso produto está posicionado em um nível mais alto da decoração, mas é bastante competitivo dentro desse segmento, não é para poucas pessoas. Temos linhas residenciais de valor agregado mais alto, e também temos linhas corporativas, que atendem hotéis, clubes, condomínios e restaurantes. Hoje, 45% das nossas vendas vão para esse segmento.

 

O que os especificadores encontram nas lojas?

Temos hoje uma rede de 25 estabelecimentos. São dez franquias e 15 multimarcas. Em uma média nacional, dois terços dos nossos negócios são feitos por meio dos profissionais que trabalham nas regiões junto às nossas lojas. Importamos as melhores matérias-primas, tudo muito durável e de última geração. Enquanto outros fabricantes ficam restritos a um leque de materiais, nós fazemos uma pesquisa no sentido de lançar mão daqueles que nunca foram utilizados para mobiliário de áreas externas. Por exemplo, começamos a usar o Corian®, os laminados estruturais de alta pressão, a cerâmica e as cordas náuticas. Tentamos sempre buscar materiais inovadores, não apenas para nos diferenciarmos do mercado, mas também para podermos dar ao processo criativo mais opções de propriedade e de características singulares.

 

Quem é responsável pelo design?

Hoje, toda a parte de desenvolvimento de produtos fica sob minha coordenação. Em média, dois terços da coleção são desenvolvidos por mim e um terço é feito com o auxilio de outros estúdios de design. Entre nossos parceiros estão Marcelo Rosenbaum, Maria Cândido Machado e Manuel Bandeira, além da Carolina Armellini e do Paulo Biacchi, do estúdio Fetiche Design.

 

O que é ser um líder?

É conseguir engajar as pessoas dentro do propósito do negócio. E é importante que exista um propósito! E manter essas pessoas motivadas dentro disso, evidentemente com um sistema de mérito e de desenvolvimento pessoal.

 

Como identificar um talento?

Identificar é fácil. Difícil é achar. A grande dificuldade é conseguir uma equipe adequada. Dentro do nosso processo, creio que demoramos uns bons doze anos para poder criar uma equipe talentosa para poder tocar o negócio. De qualquer forma, sempre privilegiamos profissionais formados dentro da casa. Nunca fomos de contratar gente do mercado.

 

Como gerenciar crises?

Estamos passando por uma crise no Brasil, mas graças a Deus ela não nos afetou. Nós nos vacinamos um pouco contra crises. Essa vacina se toma antes de ela chegar. É a eterna busca pela produtividade, sempre fabricando melhor. A eficiência é a melhor arma contra a crise. Além disso, procuramos a manutenção de um custo fixo compatível com o negócio e nunca dar um salto maior do que as pernas. Ou seja, andar enxuto e produtivo. Assim, não tem crise que afete.

 

Qual o segredo da empresa para liderar o mercado e se manter nessa posição?

Foco, inovação e pessoas. Foco no segmento: não querer entrar em um mercado diferente. Manter o trabalho focado dentro da área na qual nos identificamos. Inovação, pela busca constante de novidades dentro desse nicho. E, o terceiro, as pessoas, nossos revendedores, vendedores, arquitetos, designers. É conseguir manter a sua motivação tanto dentro quanto fora da organização. São várias pessoas que interagem conosco, e tem de haver uma identificação com o projeto. Muito do nosso modelo de negócio vem de manter todas as pessoas envolvidas dentro do processo.

 

Quais são os desafios de um líder?

O principal é esse que falamos agora há pouco: localizar talentos e formar uma boa equipe. Há também a parte da inspiração. Se não existe uma identificação das pessoas com o líder da organização, fica muito difícil. Os profissionais têm que se sentir influenciados pelo líder como um exemplo de estilo de gestão, estilo de vida.

 

E como você relaxa nas horas vagas?

Surfo e jogo tênis. O meu lugar de base para pegar ondas é a Praia do Forte, no norte da Bahia, mas sempre que acho um tempinho vago, entro no avião para surfar na Indonésia ou na América Central.

 

Imagem: Mark Leibowitz

redacao@editorialmagazine.com.br

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