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Entrevista com diretor comercial da N. Didini

Para diretor comercial da N. Didini, proximidade, transparência, incentivo aos estudos e motivação são cruciais para uma boa liderança.

Por Marina Samaritano

 

Controle familiar

Para diretor comercial da N. Didini, proximidade, transparência, incentivo aos estudos e motivação são cruciais para uma boa liderança.

 

 

“Trazer segurança para os liderados é algo fundamental, pois isso os mantêm motivados, focados em seus próprios objetivos e nos da empresa”.

 

Rafael Coelho, diretor comercial da N. Didini Rafael Coelho é neto de Nilton Didini, engenheiro responsável pela criação da N. Didini em 1952, empresa que a partir de 1989 voltou-se para os revestimentos metálicos especiais, além de coberturas, particularmente de cobre e zinco- titânio. Nesta entrevista, o diretor comercial narra a sua trajetória e experiência dentro da companhia familiar.

 

Conte um pouco da trajetória da empresa e como você se uniu a ela.

Meu avô, engenheiro civil, era especialista na parte elétrica e hidráulica. Sua empresa atuava em São Paulo em parceria com grandes construtoras que usavam a tecnologia do cobre nas tubulações.

 

Por conta do nosso know-how em manuseamento e oxidação do material, fomos descobertos pelo Procobre [Instituto Brasileiro do Cobre], que há cerca de 30 anos nos apresentou um desafio: fazer a sede da “Universidade do Hambúrguer” do McDonald’s, em Alphaville, e da organização Pró-Vida. Assim, meu pai e avô começaram a mexer com os encaixes dos metais e realizaram estudos juntamente com especialistas do Chile e do Senai; eles desenvolveram paralelamente a mesma tecnologia pesquisada fora do Brasil naquele momento.

 

Com isso, a N. Didini se uniu ao Procobre e começou a divulgar o material na arquitetura. Fizemos teatros, museus, igrejas. Entrei naturalmente nos negócios da família quando tinha entre 15 e 16 anos, na área de contratos, pois não sabia ao certo se seguiria os passos de meu pai e avô, ambos engenheiros, ou me tornaria arquiteto. Na época, comecei a acompanhar o professor José Roberto Simões, da FAU/USP, em suas palestras em nome do Procobre, e acabei me encantando pelo segmento. Me formei na primeira turma de arquitetos da FMU|FIAM-FAAM, em 2002.

 

Atualmente atuo na parte de especificação e no setor comercial, uma vez que adoro estar próximo dos arquitetos, fazer negociações. Hoje, os carros-chefes da empresa são o cobre e o zinco-titânio. Sou mais apaixonado pelo segundo, disponível em oito pátinas diferentes, enquanto o cobre traz apenas uma, a verde. Atualmente, nossos produtos podem ser encontrados em projetos dos escritórios Bernardes Arquitetura, Jacobsen Arquitetura e Ruy Ohtake.

 

O que é ser um líder?

É ser parceiro das pessoas que compõem a empresa, uma pessoa capaz de incentivá-las e ajudá-las, e ter equilíbrio perante as decisões, dando norte às metas e focos traçados. Viso ter os colaboradores a nosso alcance, e todos com felicidade, sentindo-se agregados como família e motivados em cada projeto. Estamos passando por um momento de crise muito delicado no país e, a partir disso, pudemos aprender muito sobre liderança. Em 2015 enfrentamos momentos difíceis e precisamos estimular e motivar nossos funcionários; assim, pude aprender que liderar é, ao mesmo tempo, colocar metas, focos e nortear o trabalho a ser feito e mostrar que a equipe está inteira de mãos dadas e caminhando junto para um futuro melhor.

 

Como um líder mantém a equipe unida e produtiva?

Como disse, é necessário transparência e motivação. Além disso, estimulo os estudos dos profissionais; apoiamos e criamos programas que tragam know-how, inclusive por atuarmos em um trabalho extremamente específico. Criamos momentos de aprendizado dentro da fábrica e também fora dela, procurando a formação dos funcionários. Certa vez um grupo manifestou interesse em um curso de mestre de obra, no Rio de Janeiro, e a empresa o bancou, assim como a estadia. A viabilização dos estudos é a melhor maneira de motivá-los e mantê-los mais próximos da empresa.

 

Como um líder identifica um talento?

Os talentos são proativos, não esperam um incentivo para demonstrar curiosidade e vontade de aprender mais, de estudar sobre aquilo com o que trabalha. Como não estou sempre presente na fábrica, conto com a ajuda dos encarregados, que estão há muitos anos na empresa, para a identificação destes talentos. Quando existe alguém que pergunta, que está interessado, sou avisado que existe alguém diferenciado.

 

Qual o principal desafio de um líder?

É manter-se centrado, sereno, equilibrado e com metas bem definidas, mesmo diante de situações complicadas e de crise. Além disso, trazer segurança para os liderados é algo fundamental, pois isso os mantêm motivados, focados em seus próprios objetivos e nos da empresa.

 

Como um líder deve gerenciar as crises?

No início de 2015 unificamos o escritório e a fábrica em um mesmo endereço de Itapecerica da Serra [SP]. A distância entre estes dois pilares da empresa, além de causar rivalidade, afastava os superiores de seus funcionários e fazia com que estes fossem, de certa forma, alienados em relação ao processo de produção. O novo espaço ficou pronto no mesmo momento em que a crise chegou ao Brasil, e a proximidade com os colaboradores foi crucial para enfrentar o momento difícil pelo qual passávamos.

 

Nesta nova sede, os trabalhadores tiveram a oportunidade de conhecer os chefes e de dialogar. Achei necessário expor, com realidade, a situação da empresa naquele momento e aquilo que estava por vir. A transparência e proximidade foram de extrema importância, fazendo com que muitos abraçassem com garra os desafios e vestissem a camisa da empresa. Em novembro de 2015 reuni todos os funcionários e disse que tínhamos algumas metas; se elas fossem atingidas e as obras finalizadas, cobriríamos todos os problemas e iriamos ficar bem e nos reerguer até fevereiro de 2016. Nossos 85 trabalhadores foram capazes de concluir as seis obras a tempo, antes das férias coletivas mostrando que transparência é, também, muito importante para a liderança em momentos de crise.

 

Qual o segredo da empresa para ser reconhecida no mercado e manter seu prestígio?

O principal ponto é o amor pelos metais com os quais trabalhamos e os desafios dos novos projetos. Houve uma mudança de foco da empresa, onde passamos a ter 80% da produção voltada para revestimentos e 20% para as coberturas. O fato de realizarmos projetos personalizados e diferenciados é crucial. A N. Didini se fortaleceu e, hoje, está presentes tanto em obras pequenas, quanto naquelas de grande porte, como o Templo de Salomão e a Catedral da Sé, em São Paulo.

 

Qual a importância da sustentabilidade para a N. Didini?

Todos os materiais que utilizamos são recicláveis e ecologicamente corretos. Por exemplo: qualquer sucata de cobre, quando derretida, pode ser transformada novamente em bobina. Atualmente, as grandes construtoras querem saber de onde vem o produto utilizado e como descartamos aquilo que não for utilizado. A sustentabilidade é algo muito presente, não apenas em nossa empresa, mas também por parte de nossos clientes.

 

Quais os principais diferenciais dos produtos da N. Didini?

Longevidade e beleza. A matéria-prima utilizada, além de ser visualmente maravilhosa e diferenciada, tem uma longevidade incrível, fazendo com que a manutenção seja pequena, trazendo facilidade para os clientes. Além disso, a utilização de materiais nobres e diversificados nos possibilita dialogar com diferentes públicos e trazer aspectos diferenciados de acordo com o que nosso cliente deseja para cada ambiente.

 

Quais os seus hobbies?

Adoro jogar futebol e pocker. Nos horários livres, outro assunto que me desperta muito o interesse é economia e, sempre que possível, gosto de estudar um pouco. Além disso, sou bastante religioso e tenho um ministério na igreja Batista. Por conta disso, gosto muito de ler e estudar sobre religião.

redacao@editorialmagazine.com.br

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