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Elbphilharmonie Hamburg – diversidade musical e acessibilidade em uma arquitetura exuberante

Construída sobre um antigo armazém, a Filarmônica de Hamburgo, do escritório Herzog & de Meuron, une história a elementos contemporâneos.

Por Marcela Millan

 

 

Entre dois mundos

Construída sobre um antigo armazém, a Filarmônica de Hamburgo, do escritório Herzog & de Meuron, une história a elementos contemporâneos.

 

 

Elbphilharmonie

Avançando como um barco no rio Elba, a filarmônica de Hamburgo é composta por três partes bastante delimitadas: a base, que reaproveitou um antigo armazém de tijolos que celebra a história portuária da cidade; a estrutura de aço e vidro, com seu corpo coroado com o formato de ondas, onde acontecem os concertos; e a Plaza, um elo entre elas, com janelas panorâmicas.

 

Passado e presente conversam no imponente projeto arquitetônico – uma estrutura de aço com vidro, construída sobre um antigo armazém de chá, café e cacau, de meados dos anos de 1960. Atracada às margens do rio Elba, em Hamburgo (Alemanha), a sala de concertos Elbphilharmonie Hamburg mais parece um grande navio, com desenho do escritório suíço Herzog & de Meuron.

 

Com 125.500 m², a Elbphilharmonie abriga três salas de concerto, uma área para educação musical, espaços para comer e beber e, ainda, um hotel. Seu intuito é oferecer música para todos os públicos; por isso, tem um repertório variado. “Arquitetura, diversidade musical, acessibilidade a todos – a Elbphilharmonie une todos os aspectos multifacetados que Hamburgo tem para oferecer e serve como porta de entrada para o mundo”, destacam os arquitetos.

 

Foram cerca de dez anos para abrir as portas ao público, ao custo de 789 milhões de euros (cerca de R$ 2,71 bilhões), levantando grande polêmica, já que o orçamento inicial era de 70 milhões (R$ 241,41 milhões).

 

Filarmônica2

O tijolo, elemento mais tradicional, contrapõe-se ao vidro, que reflete a cidade, o céu e o rio. Foram cerca de mil elementos de vidro moldados para compor esse quebra-cabeça. No teto com forma ondular, 5.800 chapas de alumínio circulares, brancas e perfuradas, completam a arquitetura imponente.

 

Filarmônica3

Entre as chapas circulares, aberturas permitem um restaurante a céu aberto, com vista panorâmica de toda Hamburgo. A malha ajuda na impermeabilização e vedação da cobertura.

 

Com 110 m de altura, a filarmônica se sustenta sobre o edifício Kaispeicher A, projetado por Werner Kallmorgen  no período pós Segunda Guerra Mundial. Sua construção sólida de tijolo e concreto serve como base para o invólucro de vidro estruturado por aço, mais lânguido. São 16 mil m² de elementos de vidro com diversos arqueamentos, feitos unitariamente. Alguns são inteiriços, enquanto outros têm esferas curvas cortadas que se tornam janelas para auxiliar na ventilação. Reta até o topo, essa estrutura contemporânea tem um telhado ondulante, que lembra o formato de ondas. Ou uma coroa!

 

No edifício, a Plaza é o ponto de encontro central, formando um elo entre o armazém e a nova estrutura. Uma escada rolante leva à área, de onde se pode desfrutar da vista panorâmica da cidade. Ali também se encontra também a bilheteria e o lobby do hotel, além de escadas que levam para as salas de concerto.

 

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A Plaza, área de intersecção entre os dois principais volumes que compõem o projeto, está 37 metros acima do solo. Funcionando como um ponto de encontro, o espaço conduz para as salas de concerto, lobby do hotel ou restaurantes.

 

Seus janelões são uma atração à parte para os visitantes.

 

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De uso misto, a “Elphi” tem três salas de concerto (a principal, bem no seu coração), uma área para ensino de música que ocupa parte do edifício inferior, um mirante (a chamada Plaza) em seu espaço central e, ainda, um hotel, na área envidraçada à esquerda. Um estacionamento, na parte central de tijolos, tem cerca de 500 vagas. Uma enorme escada rolante atravessa o edifício de tijolo para conduzir os visitantes.

 

O grande salão, com 2.100 assentos, é o coração do complexo. Ele foi projetado para que todos os lugares fiquem dispostos em torno ao palco central, garantindo que nenhum espectador esteja a mais de 30 m do maestro. Ali, a acústica foi a grande preocupação e ganhou projeto de Yasuhisa Toyota, que lançou mão de 10 mil painéis de fibra de gesso individualmente moldados, para garantir a perfeita distribuição do som.

 

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O Grand Hall foi concebido para que nenhum espectador fique a mais de 30 metros do palco. O gigantesco candelabro, como foi comparado pelos arquitetos, sai como uma corneta da cúpula e esconde elementos das funções técnicas do salão e ainda garante a reflexão do som.

 

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Com capacidade para 2.100 pessoas, a câmara principal ainda recebeu um órgão feito especialmente para o projeto, em parceria com a Klais. São 4.765 tubos que parecem fazer parte das paredes, atrás e ao lado dos assentos.

 

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O projeto cuidadoso de acústica ficou nas mãos do engenheiro Yasuhisa Toyota. Aqui, detalhe do teto e parede em fibra de gesso. Os painéis são moldados de forma a refletir o som e dispersá-lo de forma calculada. Ao todo foram cerca de 10 mil unidades para garantir uma acústica perfeita.

 

A Elbphilharmonie ainda conta com o Recital Hall, mais intimista e com capacidade para 550 pessoas. Ideal para música de câmara, tem assentos flexíveis, fazendo com que o espaço possa ser moldado a diferentes usos. É no antigo armazém, por sua vez, que se encontra a área de educação musical, com eventos para todos.

 

Em termos de acessibilidade, o projeto foi pensado com rampas e elevadores para facilitar a mobilidade, e os teatros contam com assentos especiais para cadeirantes, assim como banheiros adaptados. Ainda há um sistema de pavimentação tátil para quem tem visão comprometida, que orienta por todo o edifício.

 

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Mais intimista, o Recital Hall acomoda até 550 pessoas. Os painéis de madeira com forma ondulada foram pensados por questões de acústica e ainda tornam-se elementos de design. Esta sala possui cadeiras móveis, podendo ter uso misto.

 

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A “Elbphi” faz a união de dois mundos que refletem a atmosfera de Hamburgo. Marco da cidade, tem formas orgânicas sobre uma base sólida. Ela faz parte da recuperação de uma área portuária degradada, sob o projeto conhecido como HafenCity.

 

 

Imagens Iwan Baan, Maxim Schulz, Michael Zapf e Thies Raetzke

 

 

 

 

 

 

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