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Eduardo Ferreira, diretor gerente da Viega no Brasil, fala para a CM sobre seus 40 anos de carreira

Com 40 anos de carreira e passagens por grandes players do setor, como Roca e Ideal Standard (empresa adquirida pela Duratex), Eduardo Ferreira é diretor gerente da Viega no Brasil. A empresa alemã, fundada em

Com 40 anos de carreira e passagens por grandes players do setor, como Roca e Ideal Standard (empresa adquirida pela Duratex), Eduardo Ferreira é diretor gerente da Viega no Brasil. A empresa alemã, fundada em 1899, começou com a fabricação de torneiras em latão para o segmento cervejeiro, até que seu fundador, Anselm Viegener, decidiu redirecionar os negócios, passando a produzir material de instalação para canalizações de água.

 

Hoje, com 17 mil produtos em seu portfólio, entre ralos, sifões, grelhas lineares e caixas de descarga de embutir, aposta na inovação e na tecnologia. Prova disso é o sistema de conexão por compressão, que elimina o uso de solda. Nesta entrevista, o executivo conta o que ele e a Viega esperam do mercado brasileiro, que, em comparação ao segmento na Alemanha, está em pleno crescimento.

 

Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória.

Sou formado em direito e administração de empresas e comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos. Passei a maior parte da minha trajetória em duas empresas: a Ideal Standard e a Roca. Na primeira, entrei como assistente e saí como gerente da fábrica de Queimados, no Rio de Janeiro. Na outra, iniciei na Incepa e terminei na Roca, permanecendo na companhia por 18 anos. Passei por vários departamentos, desde comércio exterior, marketing, até chegar à diretoria administrativa e comercial. Foi uma trajetória muito bacana. Estou na Viega há cinco anos, desde que a empresa chegou ao Brasil.

 

Como entrou na Viega?

Estava fazendo um trabalho para a Duravit e fui convidado pela Viega para iniciar seus negócios no Brasil. Hoje estamos em Vinhedo (SP), em uma área com mais de 1.000 m². Importamos os produtos da Alemanha e os comercializamos aqui.

 

Fale um pouco sobre a história da empresa.

A Viega é uma empresa familiar, com 117 anos, que iniciou com a fabricação de torneiras para a indústria de cervejas. Depois, passou a produzir material de instalação para canalizações de água. Também lançou ralos, sifões e grelhas lineares para escoamento de água em banheiros, cozinhas e pisos em geral, assim como caixas de descarga de embutir na parede para vaso sanitário suspenso ou convencional. Inventou, inclusive, um sistema de conexões por compressão que não usa solda. Um disparo da ferramenta – cujo mordente é encaixado ao redor da conexão e do tubo – dura cerca de quatro segundos, tornando o processo rápido, limpo e preciso. Hoje está em cerca de 75 países, com mais de 17 mil itens no portfólio. São nove fábricas, a maioria na Alemanha, mas também tem uma nos Estados Unidos e outra na China. Os produtos vendidos no Brasil são todos fabricados na Alemanha.

 

Qual o carro-chefe no Brasil?

Aqui, estamos mais voltados para produtos para banheiros. São produtos de alto luxo e alta qualidade. Apesar da crise, crescemos mais de 40% de 2014 para 2015. A Viega fabrica também conexões metálicas de cobre, bronze, aço inoxidável, aço carbono e liga de CuNiFe. O carro-chefe na esfera mundial são as conexões por compressão. Registramos mais de 60 pontos de venda no Brasil. Estamos muito satisfeitos com as vendas e com a penetração desses produtos.

 

É possível comparar o mercado brasileiro ao alemão?

As construções na Alemanha são muito diferentes das do Brasil, pois eles usam muito drywall, assim como em toda a Europa. Como a Viega tem 500 produtos para instalar nesse sistema, temos um futuro brilhante pela frente, pois a tecnologia está em franco crescimento por aqui. Vemos expansão também na instalação de vasos sanitários suspensos, que necessitam de caixas de descarga embutidas na parede com uma estrutura de aço para suportar a bacia, e nós somos campeões na fabricação desses produtos. A Alemanha é um mercado maduro em relação à construção e suas técnicas. Já o Brasil está em desenvolvimento, com muitas paredes de alvenaria, mas o drywall cresce ano a ano. Vejo como uma evolução e uma grande oportunidade para nós.

 

O que é ser um líder?

Em primeiro lugar, é conhecer o negócio que lidera. Segundo, é dar o exemplo para as pessoas. Sou a favor de uma liderança participativa, aquela em que as pessoas te seguem porque acreditam em você, como pessoa e profissional.

 

Como um líder identifica um talento?

É preciso conhecer as necessidades do cargo e buscar uma pessoa que tenha essas qualidades, experiências e dons. É preciso levar em conta também o lado pessoal, pois não adianta ter profissionais que consigam realizar as tarefas, mas não tenham um bom relacionamento interpessoal, não entendam a vida da maneira que tem que ser.

 

Quais são os desafios de um líder?

É fazer com que as pessoas o sigam com alegria e vontade, sempre motivadas a atingir os objetivos da empresa, mas também os seus pessoais.

 

Qual o segredo da empresa para liderar o mercado e se manter na liderança?

É preciso conhecer o que o mercado precisa em termos de produtos e serviços. E ter os produtos e serviços adequados para cada cliente, antecipando as suas necessidades.

 

Como gerenciar uma crise?

Cada crise é única e tudo no mundo é cíclico, por isso, não existe uma que permaneça para sempre. Precisamos encará-la como um período e buscar nela oportunidades. Temos crises pessoais a cada dia, já o mercado as tem de tempos em tempos e não devemos nos desesperar com elas. Tenho 57 anos e já passei por várias crises no Brasil, mas nunca fiquei desempregado. Sempre tive isso em mente: a crise não permanece para sempre, é uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento de novas coisas.

 

Há planos para implantação de uma fábrica da Viega no Brasil?

Desde o princípio esse é o plano, mas os nossos produtos ainda estão sendo adaptados para o mercado. Primeiro, precisamos ter a demanda, mas isso virá.

 

Quais são os seus hobbies?

Gosto de ler, às vezes dois ou três livros ao mesmo tempo. Acabei de ler “O seu dinheiro”, de Howard Dayton, que me deu uma visão diferente de como administrar o que Deus colocou em nossas mãos. Recomendo para todos, mesmo para quem não é cristão. Também gosto de música, apesar de não tocar nenhum instrumento, mas o que amo mesmo é visitar museus. Se quiser me dar um presente, me mande para um, mas preciso de uns 15 dias para poder observar tudo [risos].

 

Quais seus museus favoritos?

O Museu do Prado, na Espanha, é lindo; o Louvre, em Paris, também. Recentemente fui ao Museu Plantin-Moretus, em Antuérpia, na Bélgica, e gostei muito. Ele tem desde os primeiros sistemas de impressão até documentos históricos. Fiquei emocionado ao ver o quanto isso evoluiu e o trabalho que se tinha antigamente para fazer a impressão de apenas uma folha.

 

Imagem: Phoética

redacao@editorialmagazine.com.br

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