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De ponta a ponta

Com térreo sem barreiras e estrutura sustentada por pilotis, casa tem arquitetura leve e fluida.

Volumétrica e ao mesmo tempo contínua. É assim a residência de 500 m², divididos em quatro pavimentos, projetada por Marcio Porto, do Sidonio Porto Arquitetos Associados. “O cliente, um industrial do ramo da construção civil, sua esposa e filho, sempre desejaram um espaço ao nível do térreo que fosse amplo o suficiente para proporcionar a sensação de amplitude e integração, desde a entrada da rua até o final do terreno”, assinala o arquiteto. A solução foi aproveitar-se da inclinação do terreno – que compreende o declive que começa no Autódromo de Interlagos e termina junto à represa de Guarapiranga, em São Paulo – e valer-se do uso de pilotis na base, criando um térreo contínuo, que tem leve inclinação da entrada até os fundos, onde fica a piscina. “A orientação solar, parâmetro fundamental, foi utilizada para determinar os setores: social, voltado para o Norte e Noroeste; íntimo, voltado para o Nordeste, Norte e Noroeste; e de serviços, voltado para o Sudoeste”, explica.

Com estrutura feita em concreto moldado in loco e base sustentada por pilotis, a casa recebeu fechamento de vidro no pavimento térreo, conectando-o totalmente com o exterior.

Marcio Porto adotou estrutura de concreto moldado in loco, com paredes internas em drywall e externas em vidro temperado e alvenaria acabada com massa raspada. As esquadrias são em alumínio anodizado. “Em uma das extremidades da casa foi projetado um grande balanço estrutural, da ordem de 4 metros. Esse recurso confere amplitude visual e também leveza à volumetria”, comenta.

São poucos os móveis dispostos sobre o piso de porcelanato (Portobello), no térreo. O espaço é banhado pela luz natural e se conecta com o verde exterior através dos panos de vidro. Uma das ideias foi minimizar a presença de luminárias “visíveis”, por isso há uma predominâncias dos spots embutidos no forro de gesso. Uma sanca (ao fundo, à direita) proporciona luz indireta.

Dividida em quatro níveis, a casa abriga no térreo – marcado por um pé direito triplo e todo conectado por um jardim – o living, que se integra com a cozinha e piscina, além da área e quarto de serviços. O primeiro andar contém quatro suítes, ao passo que a cobertura ganhou um delicioso solário com deck de madeira. No subsolo, por sua vez, fica um depósito e casa de máquinas.

O verde invade a casa, como nesse jardim interno debaixo da escada. Ao fundo, o living também é minimalista, mas conta com mobiliário de mestres como Mies Van Der Rohe, Charles Eames e Carlos Motta.

Imponente, a escadaria (Metalúrgica Regina) marca o pé-direito triplo do hall de entrada, conectando todos os pavimentos. Foi construída com aço pintado e degraus de madeira, balanceados em relação à coluna central da casa.

Nas áreas íntimas, o assoalho é de madeira (Pau Pau), para trazer aconchego. O quarto tem esquadrias de correr, que o integram à natureza e se abrem para a vista da represa de Interlagos.

Por Marcela Millan
Imagens Romulo Fialdini

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