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Como criar seu próprio sol

Pela necessidade, criamos o impensável. Pequena cidade fabril de Rjukan, na Noruega, instala espelhos gigantes em montanha para refletir luz solar.

Pela necessidade, criamos o impensável

Por Marcela Millan

 

Os raios de sol eram raros na pequena cidade fabril de Rjukan, na Noruega. Localizada no fundo de um vale, entre duas montanhas no condado de Telemark, a 150 km a oeste de Oslo, o local se via impedido de receber luz do sol de setembro a março. Com isso, durante os longos seis meses de inverno, Ryukan ficava escura, tornando os dias difíceis para seus 3.500 habitantes.

 

A luz refletida na praça tem cerca de 90% da intensidade da luz solar original. Antes dos espelhos, os moradores de Rjukan dependiam de um teleférico que lhes permitia chegar ao topo das montanhas para aproveitar um pouco da iluminação natural.

 

Antes de serem instalados, os espelhos foram transportados de helicóptero até as montanhas. Na sequência, foram posicionados de maneira a refletir a luz para baixo.

Diante esse cenário, surgiu a ideia inusitada e sustentável de instalar grandes espelhos nas montanhas, uma maneira de refletir a luz solar. Para mudar a rotina de Rjukan foram necessários três helióstatos movidos a energia solar e eólica.

Um helióstato é um conjunto de espelhos que se move sobre eixos, acompanhando, graças a um programa de computador, o movimento do sol, o que possibilita manter o reflexo dos raios sobre um determinado ponto – no caso, a praça central do município. Com 17 m² cada, os equipamentos chegaram de helicóptero e foram instalados 450 metros acima da praça.

“Desde o início nos confrontamos com requisitos muito diferentes dos que estamos acostumados”, explica Joachim Maaß, gerente de projetos e CEO da Solar Tower  Systems, que instalou os espelhos na montanha. “Acima de tudo, as baixas temperaturas e altas velocidades de vento eram radicalmente diferentes dos nossos locais de instalação usuais, em regiões como a Arábia Saudita ou a Austrália. Era difícil ter certeza que o sistema poderia resistir a condições tão extremas”, confessa. Nas regiões ensolaradas, os espelhos costumam ser instalados em centrais de energia solar. Eles refletem os raios solares, direcionando-os para uma torre central, que os converte em energia.

Acostumados a construir sistemas em locais planos, também foi necessário adaptar os espelhos, para que eles refletissem o sol para baixo.

A experimentação foi um sucesso – hoje, os espelhos capturam o sol e o refletem em forma de uma elipse, com cerca de 600 m², na praça de Rjukan. “É bom saber que as pessoas estão aproveitando esta nova oportunidade”, diz Maaß. “Podemos ver, por meio de uma webcam, os moradores indo à praça, sentados em um banco ou conversando. Enfim, se aquecendo ao sol”,finaliza.

 

Com 17 m² e 1.200 kg cada, os espelhos de Rjukan, controlados por computadores instalados no prédio da prefeitura, acompanham o movimento do sol.

 

 

Imagens: Karl Martin Jakobsen e Marte Christensen/NTB

redacao@editorialmagazine.com.br

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