Infraestrutura verde, digitalização e transição energética fazem com que as cidades de Belém, Manaus e Santarém despontem como polos de preservação e desenvolvimento
Metrópoles amazônicas cercadas por rios e pela maior floresta tropical do mundo, os municípios de Belém, Manaus e Santarém são símbolos de uma importante virada histórica no que tange o desenvolvimento urbano e a preservação ambiental. Ainda que enfrentem carências com infraestrutura, saneamento básico e mobilidade urbana, são áreas de grande potencial para liderar um novo formato de crescimento sustentável, contando com os recursos naturais que as cercam como um importante ativo. O propósito, portanto, seria consolidar a região como o maior laboratório vivo de inovação urbana sustentável do planeta.
É o que defende William Pereira, vice-presidente de Smart Infrastructure da Siemens Brasil, que propõe uma mudança profunda na percepção global sobre o desenvolvimento regional, defendendo que o futuro das cidades amazônicas inteligentes reside na integração harmônica entre a tecnologia de ponta e a preservação do ecossistema local. Isso faria o Brasil ser vanguardista em bioeconomia e sustentabilidade.
“A Amazônia é mais do que um patrimônio natural; é um ecossistema urbano vivo que pulsa, cresce e se reinventa todos os dias. O futuro das suas cidades inteligentes pode ser o ponto de virada global para demonstrar que o desenvolvimento econômico e a preservação florestal não são caminhos opostos, mas sim duas faces da mesma jornada”, destaca William Pereira.

O caminho prático para mitigar as ilhas de calor e a vulnerabilidade ambiental da região envolve a implantação de redes digitais e inteligentes de infraestrutura verde. Entre as principais soluções defendidas estão o uso de sensores em tempo real para monitorar redes de energia e água — prevenindo o desperdício —, o investimento em arquitetura bioclimática integrada à cultura regional e a digitalização acelerada dos serviços de atendimento público à população.
No âmbito da mobilidade e sustentabilidade, a transição para frotas de transporte público elétrico e a expansão de eletrovias regionais surgem como passos cruciais para a descarbonização urbana. Pereira ressalta que as políticas de arborização em massa e a valorização das infraestruturas verdes não podem ser tratadas como simples projetos de estética, mas sim como prioridades de saúde pública, reduzindo o impacto térmico severo e promovendo a qualidade de vida nas grandes metrópoles do Norte.

O executivo alerta, contudo, que uma revolução tecnológica desse porte não se consolida de forma isolada. O avanço depende de uma estreita colaboração em ecossistema, articulando esforços do setor privado, governos, centros universitários e a própria sociedade civil. O papel do setor privado, para contribuir com a causa, concentra-se no desenvolvimento de soluções de engenharia voltadas a aumentar a eficiência energética dos sistemas urbanos e fortalecer a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas

Por Victor Hugo Felix.
