Da IA generativa que cria objetos em segundos à industrialização que corta o cronograma pela metade: conheça as tecnologias que estão dominando os escritórios e canteiros
O mercado de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) enfrenta uma nova realidade. Se antes digitalizar processos era um diferencial, para 2026 virou regra básica. O motivo é financeiro e operacional: um relatório recente do setor aponta que, pela falta de integração de ferramentas e equipes, um em cada três empreendimentos é prejudicado por erros de projeto.
Para manter a competitividade, a aposta não é apenas em “mais software”, mas em processos mais inteligentes. Carlos Costa, Diretor Técnico da Trimble para o software Tekla, destaca quatro frentes tecnológicas que devem dominar a rotina dos profissionais:
1. IA como “Co-piloto” Criativo
A Inteligência Artificial saiu da teoria e entrou na operação diária para resolver um problema antigo: o tempo gasto em tarefas manuais. O foco agora é a iteração ágil. Ferramentas novas, como o SketchUp AI, permitem criar objetos 3D complexos a partir de comandos de texto ou imagens de referência em segundos (funcionalidade Generate Object). Além disso, a renderização via IA (AI Render) atua como um motor gráfico, permitindo testar acabamentos e estilos instantaneamente para aprovar ideias iniciais com clientes de forma mais rápida, otimizando o tempo sem abrir mão da qualidade visual.
2. O Fim do Desenho Morto: O Modelo Executável
Modelos 3D que servem apenas para visualização estética ou compatibilização BIM sem conexão com a execução estão perdendo espaço. A exigência para 2026 é o Early Involvement (Envolvimento Precoce), onde o projeto carrega dados reais de execução da engenharia desde o início. Soluções BIM avançadas trabalham com o conceito de modelos executáveis. “Isso equivale a criar um gêmeo virtual com informações exatas de fabricação e montagem. O objetivo é antecipar conflitos estruturais no computador para garantir que o projeto seja 100% executável antes de mover a primeira máquina no canteiro”, explica Costa.
3. Industrialização (DfMA): Eficiência na Ponta do Lápis
A sustentabilidade deixa de ser apenas um selo para virar métrica de eficiência através da construção industrializada, ou DfMA (Design for Manufacture and Assembly). A lógica é projetar edifícios para serem montados, e não moldados no local. Dados de mercado indicam que o uso de DfMA pode reduzir o cronograma da obra entre 20% e 60%, além de diminuir em mais de 70% a necessidade de mão de obra no local. Menos tempo de obra significa menos resíduos e menor pegada de carbono, tornando a conta da sustentabilidade viável.
4. A Obra Conectada e o Open BIM
O maior gargalo da produtividade hoje são os “dados isolados” — quando a arquitetura atualiza uma planta, mas a engenharia segue trabalhando numa versão antiga. “Para 2026, a regra é a colaboração em nuvem via Ambientes Comuns de Dados (CDE). A indústria consolida a abordagem Open BIM, que permite que softwares de diferentes fabricantes “conversem” sem barreiras. Isso garante que a informação flua do escritório para o tablet do engenheiro na obra em tempo real, eliminando o “telefone sem fio” que gera retrabalho”, explica Carlos.
Em conclusão, o que tem mudado em 2026 não é apenas a tecnologia, mas o papel do arquiteto e do engenheiro. “Quem dominar processos integrados, do conceito ao canteiro, não só ganhará eficiência, mas ocupará um novo lugar na cadeia de valor da arquitetura, engenharia e construção. O futuro não será de quem projeta mais rápido, mas de quem projeta melhor: com dados, precisão e colaboração”, destaca Costa.
