“Cultura do upgrade” e “cidades 15 minutos” são conceitos que se popularizam no mercado
O mercado imobiliário está passando por um processo de transformação impactado pela “cultura do upgrade” — a preferência por eficiência operacional, conforto e previsibilidade de custos em vez de metragem ou status. Segundo Mauricio Dallagrana, Superintendente da Vanguard Joinville, os empreendimentos devem oferecer meios para uma rotina equilibrada e saudável para os moradores. “O consumidor está mais racional e busca imóveis que reduzam custos no longo prazo e melhorem sua qualidade de vida. Eficiência deixou de ser diferencial e passou a ser critério básico de escolha”, afirma.
Segundo dados da Brain Inteligência Estratégica, a intenção de compra de imóveis atingiu 49% entre famílias urbanas, com destaque para a Geração Z (entre 56% e 61%) e a Geração Y (de 51% a 54%). Entretanto, 36% dos potenciais compradores ainda hesitam em iniciar a busca ativa, e os custos imprevisíveis, como taxas condominiais e despesas domésticas, são o principal impeditivo.

No último ano, as despesas com habitação cresceram 6,69% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), segundo o IBGE. Isso tem levado a busca por imóveis mais eficientes e sustentáveis, com uma melhor eficiência energética e maior custo-benefício. Áreas comuns otimizadas e localização estratégica também se tornaram atributos preferenciais em empreendimentos, diante deste cenário. E a proximidade com serviços essenciais, contemplando o conceito de “cidade de 15 minutos”, passa a ser fator decisivo na aquisição de imóveis.Além da redução de custos, a integração entre tecnologia, design e bem-estar tem sido determinante para a valorização dos empreendimentos. Projetos que combinam conforto ambiental, iluminação natural, ventilação adequada e espaços multifuncionais tendem a apresentar maior liquidez e atratividade no mercado.
Além da redução de custos, a integração entre tecnologia, design e bem-estar tem sido determinante para a valorização dos empreendimentos. Projetos que combinam conforto ambiental, iluminação natural, ventilação adequada e espaços multifuncionais tendem a apresentar maior liquidez e atratividade no mercado.

Cidade de 15 minutos
Criado pelo urbanista Carlos Moreno e adotado em regiões como Paris e Barcelona, o conceito de “cidade de 15 minutos” diz respeito a um planejamento urbano que garante fácil acesso a atividades essenciais, como trabalho, educação, saúde, comércio e lazer. A ideia é que, em 15 minutos a pé ou de bicicleta, seja possível chegar aos espaços onde se realizarão as principais tarefas cotidianas. O desafio é fazer com que grandes cidades como São Paulo se adapte a essa realidade. A localização dos empreendimentos em construção, assim, precisam ser calculadas para oferecer aos moradores uma realidade de morar mais conveniente.

Em Santa Catarina, há municípios com regiões estruturadas que apresentam características desse modelo. Exemplo é Itajaí, no litoral norte do estado, onde o Centro concentra serviços e infraestrutura que permite resolver parte da rotina em curtas distâncias. Regiões como o entorno da Rua Samuel Heusi reúnem shopping, clínicas, escolas, comércio e edifícios corporativos em um mesmo eixo, aproximando moradia e trabalho.
Itajaí combina atividade econômica, expansão urbana e oferta de serviços, o que tem direcionado a demanda para regiões centrais. Segundo o índice FipeZap, a cidade está entre as cinco primeiras no ranking do metro quadrado mais valorizado do Brasil, com média de R$ 13.101. “A tendência é que áreas com esse perfil, onde é possível resolver a rotina em poucos minutos, sigam concentrando demanda e sustentando desempenho acima da média no mercado imobiliário. Para quem investe, isso significa ativos com maior previsibilidade e liquidez ao longo do tempo”, afirma Clóvis de Albuquerque Filho, diretor comercial da PROCAVE, construtora e incorporadora.

Imagens do SeoulOne, plano diretor desenvolvido pelo escritório UNStudio para a Hyundai Development Company (HDC), em Seul, na Coreia do Sul, foram recentemente reveladas. Em construção no nordeste da cidade, o projeto transforma uma antiga área industrial e ferroviária em um novo bairro de 405 mil m², concebido a partir de uma perspectiva contemporânea para a habitação multigeracional.
Pensado como uma espécie de minicidade de uso misto, o SeoulOne propõe um modelo urbano em que os serviços essenciais estejam sempre próximos — a uma distância máxima de dez minutos de caminhada. O plano diretor reúne torres residenciais em funcionamento contínuo, espaços comerciais, escritórios, hotel, instalações esportivas, creches, moradias destinadas à população idosa e um centro médico, articulando diferentes gerações em uma mesma estrutura urbana.
A dimensão verde é outro eixo central da proposta. Mais de 30% da área total do empreendimento será destinada à vegetação, distribuída entre pocket parks, jardins sobre as coberturas, jardins aquáticos e uma trilha florestal. O resultado é um bairro livre de carros, pensado para permanecer ativo ao longo de todo o ano e estabelecer uma relação mais integrada entre natureza, mobilidade e vida cotidiana.


Por Victor Hugo Felix.
