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Mercado imobiliário de luxo está em pleno crescimento no Brasil

Diferentes áreas da cadeia produtiva, de incorporadoras à corretoras, têm obtido bom desempenho nos negócios graças às novas demandas por empreendimentos alto padrão

 

Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o mercado imobiliário de luxo movimentou R$ 52,2 bilhões em 2025, com crescimento de 35% sobre o ano anterior. Os números acompanham uma tendência internacional: dados do Global Wellness Institute indicam que o segmento de wellness real estate movimentou US$ 876 bilhões em 2025 e deve praticamente dobrar até 2030.

O avanço dialoga com duas mudanças no comportamento de quem busca por ativos imobiliários de luxo: por um lado, a localização privilegiada deixa de ser a prioridade máxima, dando lugar a fatores como experiência, exclusividade territorial e qualidade de vida; por outro, segundo a própria BRAIN Inteligência Estratégica, as oscilações do crédito tradicional passam a impactar menos o cliente, porque seus critérios de compra agora incluem proteção patrimonial, diversificação de investimentos e busca por ativos escassos em regiões consolidadas.

O mercado imobiliário de luxo da região sudeste está na liderança absoluta, em comparação com outras regiões do país. Análises da BRAIN Inteligência Estratégica apontam que foram realizadas 5.490 vendas de imóveis de luxo nas quatro capitais sudestinas, o que corresponde a mais da metade das vendas de todo o resto do país. Em comparação com 2024, houve um crescimento de 7,5%.

Empresas como Judice & Araujo, imobiliária especializada no mercado premium do Rio de Janeiro, sente diretamente os efeitos do bom momento do setor. A Companhia encerrou 2025 com R$ 508 milhões em volume anual de vendas, um avanço de 36% em relação ao ano anterior e mais que o dobro do registrado em 2023. Atualmente, opera um portfólio que inclui 311 propriedades acima de R$ 10 milhões, 119 superam R$ 20 milhões e 17 ultrapassam a marca de R$ 50 milhões. 

Já em São Paulo, a imobiliária Jardins & Co mantém um portfólio ativo de aproximadamente R$ 28 bilhões, com crescimento anual próximo de 30%. Entre as propriedades disponíveis, há mais de 400 que ultrapassam os R$ 10 milhões, enquanto outros 20 superam R$ 50 milhões. Nos últimos anos, contudo, a operação recebeu um aumento consistente da procura internacional por imóveis brasileiros de alto padrão, especialmente por compradores portugueses e americanos.

Em razão disso, em abril deste ano, tanto a Jardins & Co quanto a Judice & Araujo passaram a integrar a Forbes Global Properties, plataforma internacional de imóveis de luxo ligada à Forbes, o que contribui para a visibilidade internacional do mercado de luxo brasileiro. Nesta plataforma há também empresas de países onde o setor imobiliário de alto padrão é referência internacional, como Estados Unidos, França, Reino Unido, Emirados Árabes e Portugal.

 

Empreendimentos no Brasil

Empresas brasileiras têm investido em empreendimentos que atendam às demandas dos compradores de luxo, e a arquitetura surge com um ativo importante para corresponder às expectativas do público. Projetos assinados por escritórios renomados se tornam uma extensão da experiência de bem-estar e permanência, especialmente quando há uma engenharia voltada para a sustentabilidade urbana e para a valorização da paisagem natural. Exemplo é a ABC & Embralot, incorporadora com forte atuação do Sul do Brasil, responsável pelo desenvolvimento de projetos que conversam com a paisagem de forma mais harmônica: os desenhos e implantações garantem que os edifícios nunca projetem sombra na praia, e assim o sol permaneça livre enquanto o morador tem vistas para o oceano.

 

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Bravo Residence, assinado pelo escritório de Arthur Casas. Imagem: Divulgação.

 

Em Itajaí, Arthur Casas assina o projeto do empreendimento Bravo Residence, um edifício que aposta na exclusividade como diferencial. Com apenas 6 unidades, e peças de design assinadas pelo próprio Arthur Casas, o edifício proporciona as comodidades ideais para o público de alto padrão. Já em Itapema, o empreendimento 143 MAYFAIR foi assinado por Leo Maia, e conta com uma fachada Biofílica com sistema automatizado de irrigação.

“O verdadeiro luxo contemporâneo está na harmonia invisível entre design, natureza e tempo. Nossa visão para o litoral catarinense é criar refúgios onde o horizonte seja a extensão da sala de estar e onde cada serviço evoque o acolhimento de um hotel boutique. É permitir que o morador desfrute da vida em sua plenitude, cuidando do corpo e da mente com o mar como testemunha”, afirma Thiago Cabral, CEO da ABC & Embralot.

 

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Mayfair Home Boutique em Itapema, assinado por Leo Maia. Imagem: Divulgação.

 

Design internacional

Há ainda empreendimentos que apostam em assinaturas internacionais para atender às demandas dos investidores de alta renda, especialmente aqueles que buscam diversificação e proteção patrimonial. Isso porque edifícios chancelados por grifes internacionalmente reconhecidas passam a ser precificados como ativos escassos e exclusivos, operando como instrumentos de blindagem e preservação de riqueza.

Segundo a Savills, especializada no monitoramento de branded residences (imóveis associados a grifes), projetos com assinatura global têm um prêmio médio histórico superior a 30% frente a imóveis de luxo não assinados. Para investidores, isso é a garantia de que a arquitetura não seja apenas um diferencial estético, mas um selo que torna o investimento no imóvel mais rentável com o passar dos anos.

Nesse contexto, a construtora e incorporadora Plaenge Empreendimentos com Pininfarina, estúdio italiano fundado em 1930, reconhecido globalmente pelo design de automóveis icônicos de marcas como Ferrari e Maseratti. A parceria trouxe bons resultados para a empresa — os edifícios com assinatura Pininfarina somam R$ 2,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

Dados os desafios do setor construtivo, é perceptível que há fatias do mercado, especialmente associadas a públicos de maior renda, que vivem momento de plena expansão, inclusive entrando no radar global de empreendimentos de alto padrão. O desafio é reconhecer que o momento deve, também, gerar uma cadeia de oportunidades, para que novos negócios surjam e mais profissionais da economia criativa brasileira tenham reconhecimento no cenário internacional.

 

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Plaenge Empreendimentos com Pininfarina. Imagem: Divulgação.

 

 

 

 

 

Por Victor Hugo Felix

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