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Com estrutura fabril, nova sede do Marcado Livre possui espaço lúdico e sustentável

Nova sede do Mercado Livre ocupa o que antes era uma fábrica, transformando-a em um espaço lúdico e sustentável.

Por Marcela Millan

 

Como uma urbe

Nova sede do Mercado Livre ocupa o que antes era uma fábrica, transformando-a em um espaço lúdico e sustentável.

 

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Com 17 mil m² construídos, o trabalho de retrofit da antiga indústria que se transformou em sede do Mercado Livre durou cerca de um ano e foi pensado para abrigar 2 mil funcionários. Na estrutura pré-moldada original foram adicionados 4.500 m² de mezanino metálico, para mais áreas compartilhadas de labuta.

 

Melicidade – esse é o nome da nova sede nacional do Mercado Livre, empresa de comércio eletrônico que investiu na premissa dos espaços de convivência que, como uma cidade, propiciam interações e movimentação. Localizado em Osasco (SP), o escritório ocupa um terreno fabril de 33 mil m², dos quais 17 mil m² são construídos, em um investimento de R$ 105 milhões. Para esse desafio, o escritório Estudio EI, das argentinas Paula Elia e Milagros Irastorza, que já eram responsáveis pela sede de Buenos Aires da multinacional, se uniu ao brasileiro Athié Wohnrath.

 

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O escritório humanizado foi todo projetado para comportar áreas de descompressão. Seu complexo principal conta com 11 salas de treinamento e 140 de reunião. No eixo central, ambientes informais – delimitados, por exemplo, pelo tapete da by Kamy – ganharam mobiliário de design (Tidelli, Ovo, Sérgio Matos, Jader Almeida, Vitra).

 

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O projeto manteve o caráter industrial do prédio, com todas as suas estruturas originais e piso com placa cimentícia. No forro aparente foram instaladas 2.800 lâmpadas de LED (True Energy e Lumini). Para humanizar, os profissionais pensaram em uma alameda central que ganhou árvores e vegetação, em um paisagismo de Gil Fialho. São espaços descontraídos, para estimular o deslocamento pelo escritório.

 

Aproveitar-se da estrutura fabril já existente (de uma antiga empresa de logística), com três galpões, foi a ideia inicial. Assim, o armazém principal, com área de 180 x 50 m, abrigou as principais necessidades da empresa, como áreas de trabalho, salas de reunião, cafeteria e espaços comuns de congregação. “Ali ainda construímos mezaninos, para adicionar mais áreas de trabalho”, explica o time de profissionais, que deveria garantir que o local comportasse cerca de 2 mil pessoas. A circulação se dá por um eixo central, onde espaços de uso compartilhado se espalham – dentre salas de relaxamento ou para reuniões informais – conectando-se às áreas de trabalho individual.

 

No segundo bloco do complexo, um restaurante com capacidade para 450 pessoas é o destaque. Ele se conecta, por um deck de madeira, com uma área verde de descanso. O último anexo, por sua vez, foi apelidado de Meli Mall – ali há espaços de lazer, como academia, salão de jogos, consultório médico e quadra poliesportiva. Todos os blocos, que antes eram como caixas de concreto, ganharam janelas laterais.

 

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Destaque do projeto, as salas circulares – chamadas de câmaras POTS – têm estrutura de madeira e teto transformado em terraço verde. Em seu interior, o mobiliário é variado: algumas recebem mesas e cadeiras para reuniões, ao passo que outras são destinadas ao relaxamento, com balanços suspensos.

 

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Para conforto acústico, além do forro no teto, as áreas de trabalho foram revestidas com carpete (Desso). O mobiliário é da Haworth, dividido em estações de trabalho que, ainda assim, deixam uma sensação de amplitude no ambiente.

 

Preocupação verde

“Promover a sustentabilidade foi um dos principais objetivos do projeto. A Meliciade foi idealizada para otimizar a utilização dos recursos naturais e reduzir o consumo de energia e água”, afirmam os profissionais. Assim, 2 mil painéis fotovoltaicos foram instalados no telhado, para suprirem 50% da demanda energética do complexo. Toda a iluminação automatizada é em LED – foram 2.800 lâmpadas, que reduzem em até 75% o consumo de energia. Elas são aliadas à iluminação natural, vinda de grandes janelas laterais e de claraboias.

 

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Levar design e cores também foi preocupação dos especificadores: obras de arte ocupam as paredes, com curadoria de Timoteo Lacroze. São grafites de artistas argentinos e brasileiros, como Rimón Guimarães, Mart Aire e João Lelo , que se mesclam com o paisagismo e garantem um espaço agradável de trabalho. O guarda-corpo fininho permite a visão de todo o prédio. A climatização é feita por meio de um sistema geral central (com chillers), além de aparelhos independentes, em cada sala privativa.

 

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Sala de reuniões situada em um dos extremos do edifício principal, com grandes esquadrias que revelam toda a edificação. O mesão é para 26 pessoas, as cadeiras e o grande painel com cores vivas lembram o logotipo e diretrizes da empresa. Para aquecer, o piso é de madeira (Santa Madeira).

 

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Mais reclusa, a biblioteca é um recanto de concentração. O mobiliário madeirado aquece o ambiente, que conta com grandes janelas laterais para a entrada de luz solar. Mais uma vez uma obra de arte traz cor e vida.

 

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Amplo e bem iluminado, o refeitório – localizado em um segundo galpão – tem capacidade para que 450 pessoas se acomodem simultaneamente. Ele é conectado ao exterior por portas envidraçadas e grandes esquadrias que acompanham, inclusive, o formato do telhado. A cor branca, quebrada pelos desenhos lúdicos, e o pé-direito avantajado destacam a sua amplitude.

 

A sede ainda conta com quatro tanques para reaproveitamento da água pluvial, usada para irrigação dos jardins e abastecimento das bacias sanitárias. Muitas plantas e preocupação com o uso de materiais reciclados completam a visão verde do projeto. “O carpete dos postos de trabalho foi feito a partir de produtos reciclados, e o descarte de resíduos [papel, metal, plástico, pilhas e óleo] é estimulado entre os colaboradores. Há também uma composteira para a transformação das sobras de alimentos em adubo orgânico, que é doado ao projeto social Hortas de Osasco”.

 

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São 33 mil m² de terreno, dos quais 17 mil m² são construídos, divididos em três blocos: o maior e mais longo, com as principais salas de trabalho; à sua direita, o refeitório, e o terceiro galpão, em cinza, com áreas de esporte, lazer e bem estar. Um estacionamento e áreas verdes envolvem o complexo. O deck de madeira e a cobertura em formato de pergolado garantem uma conversa entre o espaço interno e as áreas livres, que se tornam extensão do espaço de trabalho.

 

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No bloco principal, a entrada se da pela escadaria que leva à recepção. Resguardado pelas estruturas circulares de madeira está o auditório, com capacidade para 200 pessoas.

 

Imagens Pregnolato & Kusuki

 

 

 

redacao@editorialmagazine.com.br

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