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Pritzker é concedido à RCR Arquitectes

Pela primeira vez, o prêmio Pritzker é concedido a um trio de arquitetos espanhóis

Por Marcela Millan

 

E o vencedor é…

Pela primeira vez, o prêmio Pritzker é concedido a um trio de arquitetos espanhóis

 

 

Tido como o maior reconhecimento dentro do universo da arquitetura, o prêmio Pritzker  deste ano laureou um trio de arquitetos espanhóis – Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalt –, que há mais de vinte anos atuam juntos à frente do escritório RCR Arquitectes, em Olot, uma cidadezinha de 34 mil habitantes a 114 quilômetros de Barcelona. Segundo o júri da 39ª edição, eles foram escolhidos pelo trabalho que conversa com o espaço a seu redor, demonstrando um “forte compromisso com o lugar e a sua história”. São projetos públicos e privados, mas que prezam, ao mesmo tempo, pelos valores locais, de raiz, e abraçam o mundo, lançando mão de materiais modernos como aço e plástico reciclado. “Receber o Prizker é uma alegria muito grande e também uma enorme responsabilidade”, ressalta Carme Pigem.

 

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Localizado em Olot, o chamado espaço Barberi, uma fundição construída no século passado, foi adquirido pelos sócios em 2004 e hoje funciona como escritório-sede do RCR. Sua biblioteca com pé-direito duplo é espaço para debates e longas conversas entre os arquitetos. A estrutura original foi inteiramente mantida e serviu de inspiração para o projeto, que buscou uma paleta de materiais e cores que remetesse aos antigos fornos e chaminés.

 

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Passado e presente conversam no antigo edifício industrial que hoje abriga o escritório do RCR . As paredes de pedra originais da fundição se mesclam com o mesão de aço, um material contemporâneo. Esse pavilhão central, com colunas e parte da cobertura de ferro, dialoga com o exterior, ligando a arquitetura à natureza.

 

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Museu Soulages (em Rodez, na França), dedicado ao artista Pierre Soulages. Realizado em colaboração com G. Trégouët, tem cinco pavilhões sem janelas revestidos por aço corten e uma pele de vidro. A ideia era fazer com que a construção conversasse com o parque, sem brigar com a paisagem – trazendo uma ideia de pertencimento –, e respeitasse a topografia inclinada do local.

 

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Complexo que compreende a Biblioteca Sant Antoni – Joan Oliver, Centro de Idosos e Jardim Cándida Pérez, em Barcelona. A ideia era tornar a rua mais dinâmica, com um espaço dedicado aos cidadãos. A sala de leitura principal é cercada por vidro, para ser banhada por luz natural e se conectar com um pátio, que é tido pelos sócios como uma extensão da biblioteca.

 

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Depois de demolido, o antigo teatro La Lira, localizado em Girona (Espanha), deixou um enorme vazio na cidade. Os arquitetos decidiram reaproveitar a sua antiga estrutura e respeitar sua escala anterior para criar uma praça pública coberta. O aço foi escolhido como material principal para remeter ao passado do bairro, bastante industrial. Uma passarela foi incorporada ao projeto, ligando-o à outra margem do rio.

 

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“Conceber uma vinícola em um entorno singular – o início de um vale, ao pé da montanha – foi o motor do projeto”, expõem os arquitetos sobre a vinícola Bell-Lloc, em Palamós (Espanha). As salas, projetadas para serem parcialmente subterrâneas, receberam folhas de aço reciclado. Aqui, vista do interior da adega para a sala de degustação, na qual as fendas no aço permitem a entrada de ar, luz e chuva, modificando o espaço e criando um efeito visual de impacto.

 

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“Nós amamos as crianças e seu mundo. Seus brinquedos, suas caixas coloridas, suas cabeças levantadas procurando o olhar de um adulto”, comentam os profissionais que, em parceria com J. Puigcorbé, conceberam o jardim infantil El Petit Comte, em Besalú (Espanha). São mil m² destinados a abrigar cerca de 80 crianças. As estruturas verticais criam um jogo de cores que remete ao arco-íris e as salas de aula, envidraçadas, permitem que os pequenos estejam sempre conectados com a natureza ao redor e com a mudança da luz ao longo do dia.

 

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O efeito poético foi gerado por uma estrutura simples: tubos de aço presos a paredes de pedra sustentam lonas de plástico translúcidas que protegem do sol e da chuva. Esse é o espaço externo do restaurante Les Cols, no qual os arquitetos queriam evocar os piqueniques familiares no campo. O espaço é pouco mobiliado, e as peças são justamente de acrílico transparente, para se mimetizar com a paisagem e dar a ideia de que os clientes estão flutuando.

 

 

 

Imagens Eugeni Pons, Hisao Suzuki e Javier Lorenzo Domínguez

 

 

redacao@editorialmagazine.com.br

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