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A CM conversa com Guilherme Castanheira, CEO da Concresteel sobre liderança

Guilherme Castanheira, CEO da Concresteel, conversa com a CM sobre liderança. Para ele, um bom líder deve ser capaz de navegar seu barco e direcioná-lo para o caminho certo, solucionando problemas, dando rumo e se

Por Marina Samaritano

 

Para Guilherme Castanheira, da Concresteel,
um líder deve se reinventar em momentos de crise.

 

 

concresteel-guilherme-castanheiraA Concresteel – especializada em revestimentos em Micro Concreto de Alto Desempenho (CAD), em placas e peças especiais – tem à sua frente o articulado Guilherme Castanheira, CEO da empresa que marca presença no mercado há mais de 10 anos. Para ele, um bom líder deve ser capaz de navegar seu barco e direcioná-lo para o caminho certo, solucionando problemas, dando rumo e se reinventando em situações de crise. Veja, a seguir, a entrevista que o profissional concedeu à revista CM.

 

 

Conte um pouco da sua trajetória.

Tenho 40 anos e nasci em São Paulo. Como queria ser engenheiro, prestei vestibular na Anhembi Morumbi e fiz o curso por quatro anos. Porém, quando faltava um ano para a conclusão, vi que não era o que queria e tranquei a matrícula. Assim, fiz administração de empresas na Faculdade Getúlio Vargas, onde me formei. Depois, continuei fazendo cursos, pois acredito que não podemos parar, uma vez que a especialização em nosso trabalho vem a partir do aprimoramento e da prática. Para me destacar naquilo que faço, precisei rever química para compreender os processos pelos quais os meus produtos passam até ficarem prontos, além de matemática financeira e gestão de empresas. Quando percebi que esses cursos supriam minhas deficiências no trabalho, consegui vê-los como algo prazeroso, por facilitarem as coisas. Acredito que o empresário precisa, acima de tudo, entender que não tem a capacidade e a obrigação de saber tudo, mas que precisa do mínimo de conhecimento para tomar decisões certas. Esses cursos foram fundamentais para que eu pudesse me aproximar das decisões corretas.

 

Conte a sua trajetória na Concresteel.

Comecei na empresa como vendedor e depois passei a cuidar do departamento técnico. Trabalhava durante o dia e à noite pesquisava sobre novas tecnologias em relação ao concreto em si, ou seja, concreto de estrutura, e não o material utilizado nos revestimentos e decoração. Notei que algumas técnicas utilizadas em grandes obras – como prédios, pontes e estações de metrôs – podiam melhorar a performance do concreto como revestimento. Além disso, pesquisei as deficiências dos concorrentes, como peso, espessura e dificuldade no transporte e manutenção, para procurar cercar possíveis entraves no mercado. A partir de então, fomos melhorando a qualidade do produto, não apenas para o consumidor final, como também para quem o especifica, transporta e instala.

 

O que é ser um líder?

Significa ser a última pessoa a sair do barco, tendo a responsabilidade de mantê-lo flutuando e no rumo certo. Um líder precisa ver todas as deficiências da empresa e remediá-las, seja por meio de suas próprias qualidades ou contando com as de outras pessoas. Gosto de uma frase de Enzo Ferrari, o fundador da Ferrari, que diz que “o meu sucesso está em ter escolhido as pessoas certas para estarem ao meu lado”. Com base nisso, posso dizer que hoje conto com vários profissionais que, de fato, me ajudam e complementam naquilo que me falta, fazendo com que fique ao meu cargo a parte mais estratégica de decidir para onde vai a empresa. Em momentos econômicos como este que passamos, o líder é obrigado a manter o barco na posição certa, ainda que os ventos venham contrários.

 

Como um líder identifica um talento?

Vivemos numa época na qual descobrimos talentos diversos – e posso garantir que todas as pessoas têm diversas habilidades. O que mais chama a minha atenção é a postura de uma pessoa diante de um problema e a maneira com a qual trabalha em equipe. Quando o funcionário não tem muito conhecimento ou habilidade, mas possui os preceitos básicos para trabalhar em grupo, para enfrentar um problema e estar disposto a mudar, se aprimorar, aprender, estudar, ouvir e colaborar, esta pessoa pode ser considerada um talento. As principais qualidades que um profissional pode ter é a resiliência e a capacidade de trocar algo que seja muito bom hoje, por algo ainda melhor no futuro.

 

Quais os principais desafios de um líder?

São vários, mas o principal é conhecer as dificuldades da empresa, identificar a raiz dos problemas, o que os gerou, e consertar isso. Às vezes é necessário olhar os problemas de longe para poder entendê-los.

 

“Um líder precisa ver as deficiências da empresa e remediá-las, seja por meio de suas próprias qualidades ou contando com as de outras pessoas”.

 

Como um líder gerencia crises?

Gosto muito de uma frase de Albert Einstein que diz que se você quer resultados diferentes, deve fazer as coisas de maneira diferente. Se a empresa e o mercado atravessam um momento de crise e os potenciais clientes não estão comprando os produtos, há dois caminhos a seguir. O primeiro é diminuir o staff, a estrutura. O segundo, focar em algo novo e diversificar os produtos e técnicas utilizadas, ou seja, se reinventar. Na maioria dos casos, o segundo caminho é o melhor a seguir.

 

Qual o segredo da Concresteel para ser reconhecida no mercado e se manter nessa posição?

O segredo é associar o material que produzimos ao serviço que prestamos e à vontade em servir. Como líder, me coloco no lugar do cliente e penso como gostaria de ser atendido, que me trouxessem uma solução. A partir dessa perspectiva, fica fácil atendê-lo e prestar um bom serviço, superando inclusive suas expectativas.

 

Como o marketing pode ajudar no crescimento da empresa?

Eu costumo dizer o marketing não é tudo, mas é 100%. Para mostrar o potencial da empresa e o que tem de bom, o consumidor deve estar ciente de sua existência. A única maneira de fazer isso é por meio do marketing. E acredito que o marketing interno também seja fundamental nessas horas, pois se você não acredita naquilo que produz ou vende, é impossível prestar um serviço com excelência.

 

Como começa o desenvolvimento de um novo produto?

O mais importante é ouvir as necessidades do mercado. Não adianta ter um produto excelente, que leva as pessoas a Marte, se elas não querem ir para lá. O foco principal é conhecer a carência do mercado, mas não basta simplesmente supri-lo; é necessário que isso seja feito com algo inovador, algo que some três ou quatro qualidades a mais do esperado. Assim, torna-se possível perpetuar uma marca e garantir boa penetração do produto na vida do consumidor. Costumo ouvir que “o ótimo é inimigo do bom”, ou seja, há marcas que disponibilizam primeiro o produto bom, para depois aperfeiçoá-lo. Discordo veementemente disso. Acredito que o bom seja obrigação e que o ótimo é aquilo que diferencia.

 

Quais são seus hobbies?

Eu costumava ter vários. O meu favorito era colecionar carros antigos. Gostava de reformá-los, entrar naquilo que chamava de universo novo, refazer os detalhes do automóvel a fim de personalizá-lo. Hoje, o que mais gosto é ficar com meu filho de dois anos. Quando tenho tempo livre, dedico-o inteiramente a ele, até o momento em que adormece. Chego em casa e penduro o jaleco do lado de fora da porta; isso quer dizer que pego todos os meus problemas, preocupações, anseios e coisas a serem resolvidas e as deixo do lado de fora de casa. Com isso, consigo curtir o meu maior hobby, que é o meu filho.

 

Imagem Divulgação

 

 

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