º Encontro Cidades Responsivas

4º Encontro Cidades Responsivas

Em Porto Alegre, especialistas nacionais e internacionais discutem como dados, planejamento e articulação entre diferentes setores podem impulsionar novas formas de transformar as cidades

 

Considerado um dos maiores evento de urbanismo do país, o Encontro Cidades Responsivas chega à quarta edição nos dias 27 e 28 de agosto, em Porto Alegre (RS), reunindo representantes da academia, do poder público e do mercado envolvidos na transformação dos ambientes urbanos no Brasil e no exterior.

Entre os convidados estão três nomes de destaque no cenário internacional: Alain Bertaud, ex-urbanista-chefe do Banco Mundial, professor do Marron Institute, da Universidade de Nova York, e autor de Ordem sem Design: Como os Mercados Moldam as Cidades; Carlo Ratti, curador da última Bienal de Arquitetura de Veneza e diretor do SENSEable City Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT); e Isabel Castilla, sócia do Field Operations, escritório responsável por projetos emblemáticos de revitalização urbana, como o High Line, em Manhattan, e o Underline, em Miami.

“Cidades são sistemas vivos moldados pela trama entre agentes. Com essa premissa, o encontro busca ampliar a integração entre planejamento urbano, gestão pública e fontes de recursos financeiros para que esses ambientes se desenvolvam a partir de um urbanismo propositivo, onde a inteligência de dados territoriais é protagonista”, diz Luciana Fonseca, doutora em planejamento urbano, diretora e sócia-fundadora do Instituto Cidades Responsivas.

 

Palestrantes internacionais

Alain Bertaud é um dos pensadores mais influentes do urbanismo contemporâneo. Foi urbanista-chefe do Banco Mundial por quase 20 anos, tendo atuado em mais de 40 cidades pelo mundo, assessorado governos de países como Rússia, Índia, China, Iêmen, Síria, México, entre outros, sobre mercados de terra, regulação do uso do solo, políticas habitacionais e reconstrução. Na palestra presencial que abrirá o encontro, ele abordará como a aceleração do envelhecimento e da redução populacional redesenhará economia, habitação, uso do solo, trabalho e mobilidade das cidades.

A palestra online de Isabel Castilla encerrará as atividades do dia 27. Nela, serão apresentados os projetos High Line, em Manhattan, e Underline, em Miami. Em comum, transformaram estruturas abandonadas ou subutilizadas em espaços públicos verdes e regenerativos, que promovem o convívio entre pessoas, a mobilidade ativa e a economia de seus entornos.

O primeiro foi implantado nos 2,3 quilômetros que, assim como o restante da linha elevada West Side, estavam destinados à demolição. Isso mudou a partir da proposição inicial de moradores do entorno que buscavam um novo uso para a infraestrutura. Hoje, ela recebe 8 milhões de visitantes ao ano e abriga mais de 500 espécies de árvores. Já o Underline resultou na instalação, ao longo de 16 quilômetro da linha do metrô local, de áreas verdes temáticas destinadas a diferentes usos e vias segregadas para pedestres e ciclistas que conectam oito estações, instituições de ensino e saúde e mais de 10 mil estabelecimentos comerciais.

Em palestra presencial, Carlo Ratti encerrará o 4º Encontro Cidades Responsivas apresentando experiências em que a visualização de dados possibilitou a compreensão da dinâmica urbana e sua alteração. Essa é a tônica de seu trabalho à frente do MIT SENSEable City Lab desde sua criação, em 2006. Foi o tema, por exemplo, de um pavilhão inteiro da Bienal de Arquitetura de Veneza daquele ano, quando ele, como expositor, apresentou o mapeamento em tempo real de Roma, a partir de dados anonimizados de smartphones e GPS. Em 2025, sob sua curadoria, a mostra explorou o uso de “inteligências: natural, artificial e coletiva” para tornar espaços mais sustentáveis e adaptáveis.

Ratti é delegado e conselheiro para Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano no Fórum Econômico Mundial e consultor especial em Inovação Urbana da Comissão Europeia. Já atuou, entre outros, em Rússia, Austrália, Singapura, Holanda, Itália, Alemanha e Brasil, com projetos como o Favela 4D, que se valeu de escaneamento a laser para analisar a morfologia da Rocinha, e outros que mapearam áreas de risco, níveis de raios ultravioleta e circulação do ar na comunidade do Vidigal e no Complexo da Maré, todos no Rio de Janeiro.

 

A realidade e sua transformação

A programação do encontro se estrutura em dois eixos complementares: a leitura da realidade urbana e os instrumentos capazes de transformá-la em ações concretas. No primeiro dia, os debates se concentram em inteligência projetual e urbana, dados territoriais, economia, desenvolvimento transformador e na cidade como construção coletiva. Já no dia 28, o foco recai sobre os mecanismos que viabilizam essas mudanças, passando por modelos emergentes, estratégias de financiamento, governança e articulação entre os setores público e privado.

Realizado pelo Instituto Cidades Responsivas e pela OSPA, o encontro conta com patrocínio master de NTI e Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Patrocínio: Airbnb. Apoio: Instituto Caldeira, Prefeitura de Porto Alegre, Caos Planejado, Sinduscon-RS, AsBEA e CAU BR.

O 4º Encontro Cidades Responsivas será realizado no Instituto Caldeira, na Travessa São José, 455, bairro Navegantes, em Porto Alegre (RS).

A programação completa e a ficha de inscrição estão disponíveis no endereço https://www.responsivecities.com/eventos/encontro-cidades-responsivas. As vagas são limitadas.

 

º Encontro Cidades Responsivas

 

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