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Vocação industrial
Fundada em 1956, no bairro paulistano da Mooca, a então chamada Mecânica Nossa Senhora da Penha ocupava um espaço de 45 m² para produzir matrizes e moldes para peças de borracha. Cinquenta e quatro anos depois, a agora Alberflex diversificou a sua produção, passando a fabricar mecanismos para cadeiras e poltronas de escritórios, poltronas para auditório e cinema, além de carteiras escolares.
Atualmente, a Alberflex é um dos mais importantes fabricantes de mobiliário corporativo do país, com uma fábrica
de 28 mil m² na cidade de Sorocaba (SP) e representantes em território nacional e América Latina. À frente da empresa há cinco anos está o engenheiro mecânico de produção José Alberto Chiuratto, filho de Alberto Chiuratto, o fundador da companhia. Na cartela de clientes, nomes de peso como Petrobras, Bradesco, Caixa Econômica, Volkswagen e universidades federais. “O momento agora é de ir para frente; estamos muito otimistas”, afirma Chiuratto. A seguir, a entrevista que o executivo concedeu à CASA&mercado.
Sobre quais pilares a empresa foi fundada e que valores perduraram ao longo dos anos?
Entre os nossos valores mais marcantes está nosso foco industrial. Nos baseamos muito na qualidade e na resistência do produto, sempre com um preço compatível. Sempre fomos uma empresa enxuta, apoiada nas questões técnicas, de qualidade e economia. Temos uma estrutura verticalizada, fazemos todas as coisas internamente. Contamos com setor de metalúrgica, de madeira, injeção de plástico e de espuma, tapeçaria e ferramentaria. Como fazemos todas as peças do nosso produto, a qualidade é garantida por nós.
Como você começou na empresa?
É uma história até engraçada. Desde pequeno, sempre fui fanático por motocicleta. E o meu pai tinha muito amor à empresa e queria que eu seguisse seu negócio. Então, no começo, ele me levava de motocicleta no final do dia. Depois ele comprou uma motocicleta para mim e a deixava aqui na fábrica, em Sorocaba. Eu morava em São Paulo e vinha andar por aqui. Era o jeito dele de me envolver no trabalho e, ao mesmo tempo, deixar que eu fizesse uma coisa de que eu gostava. Em 1984 me formei e comecei a trabalhar na empresa em tempo integral.
Quais os principais desafios de se trabalhar em uma empresa familiar?
As mudanças de geração. Minhas irmãs são minhas sócias, mas elas não trabalham na empresa. A segunda geração já está aqui; agora estamos discutindo como vai ser a terceira geração. Já há alguns sobrinhos desenvolvendo um bom trabalho na empresa – meu diretor industrial é meu sobrinho, um rapaz de trinta anos.
Quais suas ações mais importantes na presidência da empresa?
Uma iniciativa minha foi a parceria com uma empresa alemã chamada Dauphin, que visa agregar tecnologia aos nossos produtos. Outra foi a contratação do professor Karl Heinz Bergmiller para tomar conta de toda a parte de
desenho dos produtos da Alberflex. Até então, não tínhamos um designer ou alguém para fazer esses produtos. Atualmente, firmamos um acordo com uma empresa italiana chamada SI Design, de Lorenzo Negrello, que é quem
hoje nos dá assistência. Ademais, a cultura da empresa continua da mesma maneira, seguindo o que foi feito pelo meu pai, dele herdamos a vocação industrial que temos, o que acho que não dá para mudar. Por exemplo, um dos
nossos diferenciais é que não temos nenhuma loja de fábrica; todas são de representantes, porque nosso foco é indústria, e não comércio.
A Alberflex conta com outras parcerias?
Firmamos uma parceria com o IED, Istituto Europeo di Design. Consideramos importante o relacionamento aluno-indústria e o IED tem esse perfil, pois prepara seus alunos para poder trabalhar na indústria. Queremos que os
alunos conheçam uma empresa como a nossa e saibam como vemos e fazemos design. Essa é uma ótima oportunidade para reconhecer novos talentos que estão se formando no IED.
Quais as suas expectativas com relação ao mercado?
Agora o momento é de ir para frente, estamos muito otimistas. Tudo indica que a crise, aqui no Brasil, passou. Porém, ficamos sempre atentos aos países que estão em crise na Europa, pois qualquer oscilação mais brusca em suas economias pode nos atingir. A Alberflex sentiu um grande aquecimento do mercado no quarto trimestre do ano passado, crescimento que atribuímos a uma demanda reprimida ocasionada pela profunda crise que se instaurou no mundo todo, e também pela redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados). Quando os primeiros sinais de recuperação da economia eclodiram, o mercado procurou ajustar todo o setor de compras. Atualmente procuramos
atender o setor público e o setor privado na proporção de 30% e 70%, respectivamente. No setor público verificamos um aumento na demanda das universidades federais – fruto da ampliação dos investimentos do governo em educação. No setor privado verificamos que a maior parte dos setores está em expansão, desde a prestação de serviços até a construção civil e industrial. Estamos nos preparando para aumentar nosso volume de produção mensal para atender esta demanda crescente.
Como avalia a contribuição dos arquitetos e decoradores à empresa?
Os arquitetos para nós são muito importantes. Procuramos sempre ouvir o que os especificadores têm a dizer, pois é por eles que adequamos os nossos produtos.
Como o mobiliário pode acompanhar as tendências do mundo corporativo?
Algumas empresas estão adotando o lugar não fixo, ou seja, a pessoa chega para trabalhar e senta em um lugar diferente todos os dias. É o efeito da “Geração Y”, que tem uma relação diferente com os colegas e com a tecnologia.
E isso envolve uma mudança no mobiliário. Os postos de trabalho não têm os gaveteiros tradicionais; a parte da conexão do computador está muito mais à vista, muito mais fácil de plugar.
E a questão dos home offices, das pessoas trabalhando em casa?
Eu não falo em home office, mas em office at home. Para quem executa tarefas que exigem concentração, é muito mais prático passar na empresa em algum horário que não tenha trânsito, pegar o trabalho e fazê-lo em casa. Acho
que essa é a tendência de todo o trabalho que não exige reunião. Hoje você fica plugado no computador da empresa e consegue fazer muitas coisas a distância. Então, para isso ter sentido, você precisa ter um office at home, um lugar que não pode ser no meio da sala. Você precisa ter uma salinha na sua casa para estar à vontade.
Há uma tendência de as empresas investirem em mobiliário de qualidade ou isso ainda é algo que pode ser melhorado?
Acredito que as empresas estão investindo em ambientes de trabalho. E é incrível: quando você faz um ambiente novo e confortável, até as pessoas que vão trabalhar passam a se arrumar um pouco mais. Não dá para não se preocupar com isso.
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Por: Evelyn Carvalho Imagem: divulgação |