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Você é a chave
O mercado de segurança no Brasil deverá crescer 20% este ano, alcançando a expressiva cifra de R$ 1,26 bilhão, segundo relatório da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Outro levantamento, da companhia norte-americana Forrester Research, revela que investimentos corporativos em projetos de segurança deverão atingir US$ 11,2 bilhões até 2008 nos Estados Unidos e Europa, contra US$ 1,1 bilhão investido em 2005.
Essa conjuntura reflete o desejo da população mundial de se defender contra o crescente índice de criminalidade e, nesse cenário, um sistema rouba a cena e conquista seu espaço: a biometria. “Cada vez mais essa tecnologia tomará conta de nossas vidas. O futuro será o reconhecimento quase automático de qualquer indivíduo”, diz Fernando Carazzato, diretor comercial da Cynthron.
Derivado do grego, “bios” (vida) e “metron” (medida), esse recurso usa características biológicas em processos de identificação a partir de traços físicos específicos. Há um amplo campo de aplicações em sistemas que exigem o reconhecimento seguro e em tempo real de seus usuários, como a identificação criminal, os controles de ponto e de acesso. “As opções disponíveis em identificação biométrica são tão diversas quanto o próprio corpo humano”, afirma Antonio Dias Vicente, diretor comercial da Dimep. Existem biometrias físicas, que englobam impressão digital, olho (íris e retina), face, mão e voz, e comportamentais, como assinatura e ritmo datilográfico.
De acordo com Selma Migliori, presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), as principais empresas fornecedoras dessa tecnologia no Brasil estimam que já existam, na Grande São Paulo, cerca de 40 mil pontos utilizando esse recurso. O método mais popular, segundo Ricardo Takeshi Yagi, diretor da ID-Tech, é o reconhecimento pela impressão digital – algo em torno de 50% do mercado de biometria, pelo custo inferior e pela facilidade de fabricação. Porém, a crescente procura pela tecnologia biométrica e a diversificação oferecida pelo mercado devem deixar os preços mais acessíveis, o que ajudará a alavancar a venda dos demais métodos.
Funcional, a biometria pode ser aplicada com inúmeras vantagens em diversos dispositivos, desde uma simples fechadura eletrônica até o mais elaborado sistema de automação. Aliada a fechaduras eletrônicas, descarta a necessidade de chaves. Possibilita também o controle de ponto de funcionários nas empresas, substituindo cartões, crachás ou senhas, e dificulta ou impede o acesso de pessoas não autorizadas a locais específicos. Integrada a sistemas de automação, pode ser utilizada das mais variadas maneiras. “Com o polegar, o usuário pode abrir a porta; com o indicador, ligar o som ambiente, o ar-condicionado ou as luzes. Com um outro dedo é possível fazer uma ligação ou mandar um e-mail para a central de monitoramento, dizendo que está sendo assaltado”, exemplifica Felipe Forato, diretor administrativo da Xtron.
Os principais fabricantes de elevadores também já utilizam a biometria para gerenciar e controlar o acesso dos usuários aos andares dos edifícios. Com a identificação única da digital, o equipamento conduz o usuário diretamente aos andares franqueados, a partir de um cadastro da portaria ou central de segurança do prédio. Determinados softwares permitem até mesmo o rastreamento de passos de uma pessoa pelo condomínio.
As novidades, porém, não param por aí. De acordo com os fabricantes, o futuro promete ainda mais. A biometria comportamental de análise dos movimentos, por exemplo, será bastante utilizada para identificar atitudes ou comportamentos suspeitos em bancos, aeroportos, metrôs e outras áreas públicas, evitando assim atos terroristas, roubos e outros problemas. No lar, será capaz de identificar deficientes ou idosos em situação de dificuldade, possibilitando acionar o chamado imediato de uma ambulância, por exemplo.
Considerações
Em linhas gerais, primeiro o sistema captura um exemplo da característica biométrica durante o cadastramento. Nesse processo, a maioria dos sistemas requer que um número de exemplos seja dado, para formar um perfil da característica biométrica. Atributos únicos são então extraídos e convertidos pelo sistema em um código matemático, armazenado como o template biométrico do usuário. Essa informação pode estar em um sistema biométrico ou em qualquer outra forma de armazenamento, como em banco de dados de computador, cartão inteligente e até um código de barras.
Na escolha do melhor método é imprescindível analisar, portanto, em que condições esse cadastramento será efetuado. “Todos os sistemas são bons, mas serão ainda melhor utilizados depois de analisados fatores ambientais, como iluminação, calor, umidade e intempéries, ou logísticos, como quantidade de usuários, número de acessos em horário de pico, etc”, explica Ricardo Takeshi Yagi, da ID-Tech.
Tecnologias futuras já estão em estudo, como o reconhecimento a partir dos odores e salinidade do corpo humano e até mesmo pela análise de DNA, apesar de este tipo de identificação não ser considerado ainda uma tecnologia biométrica de reconhecimento, pois não é ainda um processo automatizado – demora algumas horas para se criar uma identificação por DNA. Enquanto isso, o melhor é conhecer as principais vantagens e desvantagens dos sistemas disponíveis:
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Tecnologia
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Vantagens
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Desvantagens
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Impressão Digital
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- Preço acessível
- Vários modelos
- Bom tempo de resposta
- Disponível para acesso físico ou lógico
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- Certos leitores estão sujeitos a fraudes, causando problemas de cadastramento
- Condições de tempo e umidade podem dificultar a leitura
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Íris
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- Excelente tempo de resposta
- Leitura sem contato
- Problemas mínimos de cadastramento e de reconhecimento
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- Preço mais elevado
- Disponível somente para acesso físico
- Vários graus de dificuldade na interação com pessoas com alguma deficiência visual.
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Face
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- A leitura é feita por câmeras (de webcams às profissionais)
- Flexibilidade para atuar com vários graus de precisão e segurança
- Pode ser utilizado em sistemas de monitoramento automático
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- Pouca oferta de soluções para acesso físico ou lógico
- Depende da iluminação, do ângulo e da velocidade de leitura
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Voz
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- Pode ser usado em telefones fixos e celulares
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- Sujeito a fraudes
- As variações de voz decorrentes de condições de saúde e ruídos ambientais podem dificultar o reconhecimento
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Dinâmica de Assinatura
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- Como se aproveita do ato de assinatura de um documento, pode ter dupla
função
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- Requer um leitor especial (traços, pressão, velocidade)
- Restrito ao controle de acesso ou autenticação lógica
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Dinâmica da Digitação
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- Requer apenas um teclado, que necessita de um mínimo de caracteres a serem digitados
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- Pouca oferta de soluções comerciais consistentes
- Restrito ao controle de acesso ou autenticação lógica
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Veias da palma da mão
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- Impossibilidade de fraudes
- Não tem contato com o leitor
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- Dificuldade no posicionamento correto da palma da mão
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A ThyssenKrupp Elevadores lançou o Biotrackink, sistema de gerenciamento e monitoração de uso por meio de leitura digital do usuário, identifificando o usuário e permitindo ou não a utilização dos elevadores. |
| O Íris Acess, da LG, executa a leitura de íris e reconhece seus registros mesmo quando a pessoa está usando óculos, lentes, ou com os olhos inflamados, em menos de 1,5 segundo. |
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O Identity Management, das Politec, tem tecnologia de vídeo-padrão - sem laser ou luzes fortes e danosas. O equipamento captura a imagem da íris do usuário em uma distância confortável, entre 48 cm e 53 cm. |
Texto: Luciana Robles
Fotos: Divulgação
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