Casa & Mercado Editorial Magazine
03/09/2010
A EMPRESA | ASSINE | ANUNCIE | PARTICIPE | FALE CONOSCO | TRABALHE CONOSCO
 
Receba nossa Newsletter
BUSCA
Enquete
Você acha que a sessão MEU CANTO (que mostra um profissional em um ambiente da sua casa) deve permanecer na revista?
SIM
NÃO

Menos é mais

Hotéis, pousadas, spas ou resorts são instituições multifacetadas. Cada estabelecimento funciona como um pequeno conglomerado de empresas e serviços –  restaurante, bar, lavanderia, centro estético, teatro, academia de ginástica, lan house, centro de convenções, joalheria, centro esportivo, piscinas, entre  outros. Essa complexidade toda obriga os profissionais que estejam à frente de projetos para espaços hoteleiros a desdobrarem seus esforços conceituais para  dar conta de atender, de maneira integral, todas essas áreas, de forma a oferecer a maior comodidade possível ao mesmo tempo em que proporcionam uma  experiência única aos hóspedes.

Existem diferentes sistemas de classificação de hotéis levados a cabo por instituições que possuem critérios variados. Aqui no Brasil, as avaliações mais aceitas são as emitidas pela Associação Brasileira dos Agentes de Viagem, pela Associação Brasileira da Indústria Hoteleira Nacional, Ministério do Turismo,  Embratur e Guia Quatro Rodas – todos eles atribuem de uma a cinco estrelas ao estabelecimento. Na falta de um padrão internacionalmente aceito para
a avaliação de hotéis, algumas entidades ligadas ao setor, como o Professional Travel Guide e a International Hotel and Restaurants Association (IHRA),  emitem seus pareceres com base em critérios próprios. Há ainda os sistemas criados por cada país, bem como hotéis – especialmente nos mercados emergentes da  Ásia – que atribuem a si estrelas e classificações as mais exorbitantes.

Tal classificação é um diferencial competitivo para os hotéis e para o público, pois com essa informação o hóspede pode ter uma boa ideia de que tipo de  custo, serviços e acomodações pode esperar de cada empreendimento. “No padrão da Embratur, os itens e padrões definidos na matriz de classificação têm por  objetivo atender às expectativas dos hóspedes em relação aos meios de hospedagem, destinando-se a avaliar vários aspectos, inclusive decoração”, explica  Gustavo Bueno Gomes, líder do Comitê de Sustentabilidade da Associação Brasileira de Facilities (ABRAFAC) e líder do Comitê de Implantação de Projetos
de Sustentabilidade da Jones Lang LaSalle.

Tempero regional
“Nesse cenário em que as redes hoteleiras procuram dar personalidade a seus produtos, os projetos de decoração se padronizam por marca, a fim de oferecer  consistência nas diferentes unidades da mesma marca ou bandeira. No caso de hotéis independentes, pode-se dizer que, sem uma classificação com matriz  preestabelecida, há mais liberdade para criar”, completa Beth Wada, coordenadora do mestrado em Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi.

Em termos de arquitetura e decoração, é importante observar dois fatores preponderantes: a identidade corporativa do estabelecimento e a sua relação com o  entorno. “Os hotéis estão cada vez mais personalizando espaços conforme a região onde são implantados; pesquisando a cultura, os costumes, a arte e o  artesanato a serem aplicados nos ambientes e quartos”, afirma a arquiteta Maylin Ling, que desenvolve o projeto de revitalização do Spa Lapinha, na cidade de  Lapa, no Paraná.

A arquiteta Glauce Botelho, responsável pela reforma do Jatiúca Hotéis & Resorts (Maceió, AL), segue pela mesma linha: “É interessante que o viajante conheça  as peculiaridades de cada povo ou região. Viajar é cultura”. Ao executar a reforma do Hotel Dublin – localizado há quarenta anos em Higienópolis, bairro  nobre de São Paulo – a arquiteta Nelia Chinelli Fay tomou partido de elementos brasileiros para decorar o local. A referência aos padrões de nossas obras, de nossa cultura e de nossa natureza é sugerida em telas e tecidos. “Deveríamos olhar um pouquinho mais para o artesanato brasileiro e para as características  de cada região”, avalia a profissional. Para Glauce, a seleção dos materiais predominantes em cada projeto é outro ponto chave e depende, sobretudo, da forma  como o projeto é conduzido e de como os profissionais vão adequar esses elementos para dar aos ambientes a personalidade e o aconchego necessários. “A  madeira é um excelente material. O excesso de vidro e aço precisa ser quebrado com outros elementos, tais como tecido, tapetes e palhas”.

O bambu pode ser uma boa alternativa. No projeto de revitalização do Spa Lapinha, Maylin aplicou revestimentos, móveis e luminárias nesse material, que, além  do aspecto leve e natural, é sustentável.

Multiculturais
O desafio da hotelaria é atender, dentro desse contexto de valorização do regional, a demanda global. O público dos bons hotéis está cada vez mais diverso em  termos de culturas, idiomas, gastronomia, religiões e costumes. Um bom exemplo de como é possível dar conta dessas particularidades são os espaços ecumênicos  ou de meditação, projetados de forma neutra para que possam atender hóspedes de todas as religiões.

“Como consciência dos novos tempos, procura-se conforto sem excessos”, avalia Leila Teixeira Soares, decoradora do Refúgio Ecológico Caiman, no coração do  Pantanal. “O caminho adequado é o esclarecimento das diferentes sociedades e a forma de interagirem sem preconceitos”, conclui.

Há sempre uma pesquisa prévia para tentar definir o melhor possível o perfil do usuário de cada hotel. Esse é um trabalho básico. Porém, o bom profissional  deve ir além das estatísticas se quiser não apenas atender as expectativas dos hóspedes, mas superá-las. “Se ele tem um ótimo chuveiro ou uma TV de tela  plana em casa, não vai querer menos do que isso no local em que está pagando para se hospedar”, exemplifica Beth Wada. “Os materiais devem exprimir estética, limpeza e nobreza”, afirma Nelia Chinelli Fay.

Francisco Salema, diretor de projetos e implantações da rede Sol Meliá, ressalta que o conceito do que pode ser uma decoração impessoal é muito relativo. “O  que é frio para alguns pode não ser para outros”, afirma o executivo. Entretanto, a preocupação em tornar esses ambientes atemporais impõe uma paleta de  cores mais sóbria que ronda entre o cinza e o bege, podendo ser pontuada por uma cor mais forte como o marrom ou o preto.

Segundo Francisco, essa tendência minimalista vem acompanhada de uma fusão entre o ocidental e o oriental. “É algo muito bem estudado, colocado em evidência  de forma bem sutil por meio de elementos decorativos pensados para diferentes culturas”. O arquiteto Miguel Juliano, que coordenou o projeto de revitalização  do Hotel Jaraguá, no centro de São Paulo, acredita que a impessoalidade muitas vezes é bem-vinda. “Esses espaços têm a obrigação de serem neutros e  permitirem mudanças, poisquem vai completá-los são as pessoas”.

As mudanças nos costumes definem novas demandas que devem ser traduzidas pelo profissional de arquitetura e decoração. Por isso, é importante que os projetos  nesse setor não sejam engessados e prevejam a evolução dos hábitos e da tecnologia. Em seu projeto para a modernização do Hotel Dublin, Nelia aproveitou o  amplo pé-direito do saguão para fazer um mezanino com área para acesso à Internet. Dessa maneira, a arquiteta atualizou o espaço sem descaracterizá-lo. O projeto de retrofit do Hotel Dublin prevê também o restauro e a reutilização de alguns móveis de materiais nobres e linhas clássicas. As antigas  penteadeiras, por exemplo, foram fixadas nas paredes e transformadas em estilosos aparadores.

Os armários embutidos foram reconfigurados por Nelia – que instalou varões de alumínio de forma a eliminar os espaços subutilizados. Portas e puxadores que estavam em bom estado foram mantidos.

Miguel Juliano adotou algumas medidas radicais para atualizar os acessos do Hotel Jaraguá. Embora o estabelecimento tivesse um bom projeto de entrada e saída  para pessoas e veículos, o centro de São Paulo mudou muito desde a inauguração do hotel há 55 anos. O fluxo de hóspedes que chegam em números cada vez  maiores em ônibus de excursões exigiu a criação de uma área funcional para embarque e desembarque. A solução foi eliminar nada menos que doze pilares e  ampliar a rua interna do edifício, melhorando o espaço de manobra e parada dos veículos.

Tecnologia
Para Beth Wada, da Anhembi Morumbi, o fator tecnológico mais perceptível em um hotel é a Internet. “Talvez o hóspede não perceba a textura maravilhosa da  almofada, mas vai perceber se o e-mail demora mais do que o usual para baixar”. A especialista defende o fim da cobrança pelo acesso à Internet para os  hóspedes dos hotéis. Para ela faz mais sentido atrelar a cobrança à velocidade da conexão. Os hospedes que precisem resolver problemas mais triviais, como  checar e-mails ou verificar sua conta bancária, não pagariam nada a mais pelo acesso, já os mais ansiosos podem pagar um pouco a mais para acelerar a  navegação.

A parafernália tecnológica aplicada aos hotéis não se resume à Internet ou ao famoso cartão-chave, aquele que – além de abrir a porta do quarto – faz os  equipamentos da unidade habitacional funcionarem apenas enquanto o dispositivo estiver colocado em seu console. Em alguns casos, esses cartões também ajudam  a proporcionar mais segurança aos hóspedes ao garantir que os elevadores só funcionem com o cartão do  apartamento. Uma opção emergente para o uso da  tecnologia em hotéis é o controle do consumo dos hóspedes via menu interativo acessível na televisão das suítes. A retirada de produtos do frigobar ou o  consumo de bebidas e petiscos nas lanchonetes do hotel, por exemplo, podem ser acompanhadas por meio do sistema – novidade mais que bem-vinda para que as  férias familiares não terminem com surpresas desagradáveis para os pais.

Todos esses aparatos, porém, têm que ser ofertados da forma mais simples e intuitiva possível, evitando que o hóspede se sinta constrangido caso não consiga  operar o sistema.

Sustentabilidade
Outra questão para a qual a arquitetura hoteleira deve estar preparada é a sustentabilidade, com cada vez mais gente cobrando que a preocupação ambiental dos  hotéis vá além do marketing e transpareça em práticas presentes desde a implantação dos edifícios. Isso é possível por meio da especificação de produtos mais  econômicos, sistemas de geração de energia, captação de água pluvial e de materiais de acabamento certificados por instituições sérias. “Não se avalia mais  só o impacto visual e a beleza, mas também a funcionalidade e o desempenho de cada um dos materiais e equipamentos ao longo da vida útil e toda a sinergia  entre cada um deles e o meio ambiente”, afirma o consultor Gustavo Bueno Gomes. Segundo Gustavo, estarão em destaque hotéis com arquitetura integrada ao meio  ambiente, mas também os que apliquem recursos recicláveis, renováveis e locais, reaproveitem a água e utilizem a iluminação e a ventilação naturais em seus  ambientes.

Para a decoradora Leila Teixeira Soares, a arquitetura pode potencializar a indústria brasileira do turismo adequando os empreendimentos à nossa realidade e tirando proveito da luz e da cor exuberantes de nosso país. Nelia Chinelli Fay vai um passo além ao defender que as formas da arquitetura podem ser, em si,  um elemento a mais para seduzir os turistas. Basta lembrar como edifícios assinados por nomes consagrados, como Oscar Niemeyer, são sempre citados nos  panfletos turísticos.


O Spa Lapinha foi construído em1972 e é reconhecido como o primeiro dogênero do Brasil. O centro está passando por uma reformulação de seus 40 quartos,  além da construção de uma área nova de 800 m2 na qual será instalado o novo centro médico-fisioterápico, que abrigará salas de massagens, relaxamento e  consultórios médicos.


No projeto de revitalização do complexo, Maylin Ling fez uso intensivo dos revestimentos, móveis e luminárias de bambu desenvolvidos pela Oré Brasil. Da  cabeceira das camas...


...ao design premiado das cadeiras Lapa assinadas por Paulo Foggiato (vencedoras do Salão Casa Brasil 2009).


Os indefectíveis coqueiros envergados pelo vento do litoral de Maceió (AL) ajudam a sublinhar a apropriação que o Jatiúca Hotéis & Resorts fez de  elementos da paisagem de seu entorno.


Muita madeira dá força ao Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal.


Cores neutras e muitas madeiras para agradar a todos os hóspedes do Tryp Berrini.


No Tryp Convention, em Brasília, as linhas dão ritmo ao jogo de preto e branco presente no piso do restaurante. Os pilares e paredes espelhadas colaboram para dar mais amplitude ao ambiente.


Projeto de Nelia Chinelli Fay para o Hotel Dublin tem verde, madeira e uma nova estrutura para esconder os caixilhos e o ar-condicionado.


O Txai Resort, em Itacaré, na Bahia, ocupa uma área de 100 hectares de fazenda de coqueiros. Os bangalôs foram construídos sobre estruturas de madeira do  tipo palafita, cercados por um deck de madeira com detalhes de piaçava.


A decoração dos bangalôs do Txai leva em consideração elementos naturais como plantas, madeiras, pedras e fibras.


O Hotel Jaraguá, que foi modernizado pelo arquiteto Miguel Juliano: resgate e atualização do glamour do centro histórico paulistano. O projeto original  foi iniciado pelo francês Jacques Pilon e concluído pelo alemão Franz Heep.

Por: Evelyn Carvalho
Imagens: divulgação

Ver matérias anteriores:
  • Edição 105. : Benvenuto
  • Edição 105. : Aluga-se
  • Edição 105. : Comércio transparente
  • LOGIN
    SENHA
    Esqueci minha senha
    Para ter acesso ao conteúdo da revista na íntegra, preencha nosso cadastro

    CURTAS
    02.09

    Quinta edição do Prêmio de Design Movelpar é lançada em Arapongas

    01.09

    Escritório de arquitetura corporativa Athié Wohnrath conquista o BIM Award

    01.09

    Projeto da arquiteta Nida Salegre vence 1° Concurso de Design de Interiores do Brasília Palace Hotel


     

    Copyright © 2007 Casa & Mercado é uma Publicação de Editorial Magazine. Todos os Direitos estão reservados.
    LEN COMUNICAÇÃO & BRANDING ©